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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Resenha | Trilogia de Cícero: Imperium, de Robert Harris

Imperium é o primeiro livro da Trilogia de Cícero, escrita por Robert Harris, e também o primeiro livro do desafio literário proposto aqui no blog (temas históricos).

A proposta da trilogia é acompanhar a vida política de Cícero, mostrando desde o início de seus estudos de filosofia e oratória para se tornar advogado, até o momento em que chega ao ápice de sua carreira, como cônsul romano.

A história é narrada por Tiro, escravo e assessor de Cícero, que decide escrever suas memórias, quando atinge idade avançada, para guarda-las para a posteridade. Importante mencionar que, muito embora grande parte da narrativa seja ficção, Harris utilizou muitas anotações e arquivos históricos do próprio Tiro, aumentando, assim, o grau o de veracidade da história.

Tiro, apesar de não possuir muito destaque na história romana, muito em razão de sua colocação social, ficou conhecido por desenvolver uma técnica inovadora de taquigrafia, baseada em símbolos, que lhe possibilitava registrar palavra por palavra do que era dito por seu mestre Cícero. Fato que facilitou e proporcionou à Robert Harris a publicação dos livros.

Imperium se tornou um dos meus queridinhos da vida, a história é cheia de detalhes e a descrição dos ambientes é absurdamente fantástica! É impossível não se sentir fazendo parte da história ao torcer pela vitória de Cícero e pela derrota dos corruptos, bem como aprender detalhes da vida cotidiana daquelas pessoas e compreender a essência da Política e do Direito. O livro é, simplesmente, uma máquina do tempo.

O único ponto negativo, que não é tão grave e talvez nem seja culpa do livro, é que achei a leitura arrastada, talvez em razão dos inúmeros detalhes e da necessidade da narrativa da vida cotidiana, no entanto, tal "defeito" não desvaloriza a história, apenas torna a leitura trabalhosa.

Contudo, a o primeiro livro da trilogia ganhou meu coração e um lugarzinho eterno na minha estante, assim como seus irmãos, Lustrum (próxima leitura do desafio) e o terceiro livro, ainda sem título e com data de lançamento para setembro deste ano (ainda sem previsão para a terra dourada).

Desafio Literário | Temas Históricos

Há algum tempo venho pensando em um desafio literário e há mais tempo ainda venho colecionando livros com temas históricos, então, nada mais justo do que unir duas paixões (livros e história) e me deliciar com histórias incríveis e ao mesmo tempo me desafiar a cumprir uma meta.

Pensando nisso, resolvi estabelecer algumas regrinhas básicas para o desafio:

1) Por critérios de gosto pessoal, resolvi escolher apenas livros com temas históricos verídicos (antigo Egito, Roma antiga, Segunda Guerra Mundial, biografias, etc), mas nada impede que você inclua também livros ambientados em épocas passadas;

2) Os livros devem ser organizados em ordem cronológica;

3) Como costumo ler de 6 a 8 livros no mês, estabeleci que lerei ao menos 01 por mês para o desafio. Estabeleça suas metas pessoais de acordo com o seu fluxo de leitura.

A ideia do desafio é, além do que foi dito, também, aprimorar o conhecimento e compartilhar novos títulos. Portanto, se você tiver dicas de leitura, poste nos comentários e ficarei feliz em incluir na minha listinha.

Falando em listinha, eis os livros que separei para a primeira rodada do desafio (clicando no título, você será redirecionado para o perfil do livro no skoob e assim você pode ler a sinopse):


Espero que você goste do desafio e me ajude a incluir novos títulos ao longo da jornada :)

Ah! Se você quiser, além de acompanhar aqui pelo blog o desafio, ainda pode me adicionar no skoob ou me seguir no Instagram e ficar ainda mais atualizado o/

Mariana Knorst

Resenha | Anatomia de Um Assassinato: A História Secreta da Morte de JFK, de Philip Shenon

Este livro não virou filme, mas sua história, ainda que em versões variadas, já esteve diversas vezes nas telonas. Anatomia de Um Assassinato de Philip Shenon, busca dissecar os bastidores da Comissão Warren, comissão responsável pelas investigações do assassinato de John F. Kennedy.

A história dos Kennedys sempre foi alvo de especulações e, sobretudo, de teorias conspiratórias, inclusive muito antes do assassinato de JFK. Ao lado da história dessa família, ainda temos ao seu redor as histórias de Marilyn Monroe e Frank Sinatra e seu envolvimento com a “máfia”. Assim, podemos dizer, resumidamente, que os anos 50 e 60 foram mergulhados num mar de delírios conspiratórios.

No livro, como dito, temos acesso a uma infinidade de informações post mortem, onde tudo começa, por óbvio, no fato gerador (assassinato de JFK). A partir de então, somos inseridos em um cenário político, onde observamos as primeiras reações de um governo prestes a desmoronar emocionalmente e seu desempenho para retomar o controle e definir os integrantes da comissão de investigação, que ficaria responsável, inclusive, por reavaliar as anotações e avanços da CIA e do FBI.

Após a complicada constituição da comissão, passamos a parte mais interessante, a investigação propriamente dita.

Por se tratar de uma história complexa, não temos uma narrativa linear, ou melhor, a narrativa segue os caminhos sugeridos pelas provas apresentadas em ordem de descoberta. Assim, muitas vezes, retornamos a pontos que até então considerávamos superados. Achei esta característica formidável, pois transfere ao leitor a responsabilidade de refletir sobre as possíveis consequências das inúmeras provas variáveis.

Ainda, na história, temos uma quantidade incansável de depoimentos, pois nenhuma prova em potencial poderia ser desperdiçada. Então, lemos desde relatos plausíveis, como os de Marina Oswald, esposa de Lee Oswald (possível assassino do presidente), embora cheio mentiras e omissões, até relatos completamente insanos, como os de pessoas que nem ao menos presenciaram o evento e afirmam ter informações imprescindíveis e inquestionáveis.

O livro explora inúmeros detalhes, dentre eles o da teoria da “bala única”, onde uma única bala teria atingido JFK e o governador do Texas. Até hoje esta teoria é alvo de dúvidas e ponto de partida para novas teorias.

A leitura é bastante densa devido à quantidade de informações, tanto originárias das investigações quanto dos bastidores políticos e sociais da comissão. Levei bastante tempo para concluir e, devo admitir, embora esta versão da história seja muito bem fundamentada ao apresentar dados e fatos concretos, ainda restam muitas dúvidas, talvez oriundas da absorção indireta das teorias conspiratórias incansavelmente repetidas ao longo dos anos.



Portanto, Anatomia de Um Assassinato é uma leitura necessária para todos aqueles que buscam informações concretas sobre este período tão dramático da história norte americana, bem como para aqueles que não se contentam apenas com teorias e suposições. Philip Shenon garante uma leitura rica em detalhes e sobretudo em conhecimento.