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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Resenha | Para Continuar, de Felipe Colbert

Felipe Cobert, editor e autor da Editora Novo Conceito, presenteou os leitores  com mais uma emocionante e sensível história. O autor, que já havia lançado Belleville pela mesma editora, lançou neste segundo semestre de 2015, o livro Para Continuar.

Na história acompanhamos Leonardo César, um garoto comum, como você e eu (exceto por possuir insuficiência cardíaca), que conhece no metrô de São Paulo uma linda jovem asiática e por ela se apaixona. Bom, já sabemos que uma nova paixão e problemas cardíacos formam uma combinação perigosa, mas e se misturarmos a esses pontos a máfia japonesa e misteriosas lâmpadas típicas da mencionada cultura oriental? Parece estranho, né? Mas te garanto que não é.

Ayako, jovem por quem Leonardo se apaixona, vive com seu avô e Ho, no andar de cima de uma pequena loja, localizada no bairro da Liberdade. Quando Leonardo descobre o local, de imediato toma uma dose de coragem e tenta se aproximar de Ayako. Porém, as coisas acabam não saindo como planejado, pois na visita, Leo descobre que Ho é perdidamente apaixonado pela japonesa e que ele é primo de Kong, o líder da gangue que domina o bairro.

De outro lado, temos o mistério que cerca as curiosas lâmpadas orientais escondidas no porão da loja, que de forma alguma podem ser descobertas e/ou tocadas por qualquer um que não seja Ayako ou ojisan (seu avô). Assim, a dupla, como manda a tradição familiar, cuida e protege o local e garante a "sobrevivência" das lâmpadas e, sobretudo, garante a "sobrevivência" daquilo que elas representam. O que pode ser bastante perigoso.

Falei que a combinação não era estranha, não é?

Como vocês já devem ter percebido, o que mais me chamou a atenção na leitura, além da abordagem da cultura oriental (que acho fantástica), foi a sensibilidade do Autor, pois através de sua escrita, o leitor consegue sentir a pureza da história, o que deixa a leitura irresistível.

Contudo, para descobrir o desfecho da história e o que acontece com o triângulo amoroso, as lâmpadas e a máfia, você precisará ler o livro, porque resenha alguma conseguirá transmitir de forma adequada a sensibilidade da história e os elos que unem esses aspectos aparentemente desconexos. Mas posso garantir que vale a pena!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Resenha | 172 Horas Na Lua, de Johan Harstad

172 Horas Na Lua é um dos recentes lançamentos da Editora Novo Conceito, parceira do blog, e conta a história de três adolescentes que são sorteados dentre milhões para viajarem à lua, durante uma expedição oficial da NASA.

Quando li a sinopse do livro, prontamente lembrei de "Perdido em Marte", de Andy Weir, livro que já tem resenha aqui no blog, e também do filme Apollo 18 (não confunda com Apollo 13, filme com Tom Hanks e que eternizou a expressão "Houston, we have a problem"), então quando recebi o exemplar, não pensei duas vezes antes de iniciar a leitura imediatamente. Então, sem mais delongas, vamos para a resenha!

A história de "172 Horas na Lua" se passa no ano de 2018 e em comemoração às cinco décadas desde que o homem pisou na lua pela primeira vez (e devido a mais um motivo obscuro de conhecimento apenas dos top top da NASA), a NASA decide levar três adolescentes na sua nova expedição à Lua, que utilizará pela primeira vez a base lunar DARLAH-2, que até então era desconhecida do mundo inteiro.

Os três adolescentes escolhidos são de origens diversas, Mia é da Noruega, Midori do Japão e Antonie da França, e com personalidades ainda mais diferentes, porém com destinos entrelaçados. 

Após a seleção, passam a receber um forte treinamento da NASA, ficam conhecidos no mundo inteiro e quando partem rumo à grande aventura de suas vidas, ao lado de profissionais qualificados, passam a ser o centro das atenções ao escreverem uma nova página na história mundial.

No entanto, chegando à lua, coisas estranhas começam a acontecer: portas se fecham sozinhas, o equipamento de energia é destruído por algo desconhecido, pessoas começam a agir de forma estranha e outras desaparecem, e quando percebemos tudo vira de pernas para o ar.

Mas o que teria causado tudo isso? A equipe pode ter esperança de voltar para a Terra? Qual o envolvimento da NASA? Qual a finalidade da DARLAH-2?

Bom, esses são questionamentos que são respondidos de forma muito rápida no livro, pois o autor economiza o suspense e despeja todas informações em curto espaço de tempo, ponto que achei negativo no livro. Outro ponto é que a construção das personagens é bastante fraca, principalmente os adolescentes, que são superficiais, embora protagonistas.

De outra mão, adorei a história de modo geral, principalmente sua vinculação com aspectos reais apresentados ao final do livro, que me causou um certo arrepio ao finalizar a história mas não evitou que eu desse apenas três estrelas na avaliação do livro no skoob.

Deixo aqui, por fim, o trailer do filme Apollo 18 (abaixo), para aqueles que ainda não o conhecem e minha recomendação de leitura de 172 Horas Na Lua para quem deseja conhecer uma história rápida e "de arrepiar", principalmente para uma maratona do horror em outubro.

Resenha | O Planeta dos Macacos, de Pierre Boulle

Quando vi que a Editora Aleph relançaria o clássico de Pierre Boulle, meu coraçãozinho quase parou, mas então vi a arte do livro e todas as minhas boas emoções foram por água abaixo (o que não me impediu de adquirir um exemplar).

Após comprar o livro e colocá-lo na estante, fiquei namorando sua lombada vermelha, que se destacava dentre tantas capas escuras, até decidir lê-lo. 

E, CÉUS, COMO ME ARREPENDI DE TER DEMORADO TANTO PARA LER!

Aquela capa meio estranha, que lembra um moleskine, é na realidade um grande atrativo na hora da leitura, pois o livro possui um tamanho muito agradável e um peso excelente, o que não me cansou nenhum pouco. Além disso, ao longo da leitura, aquelas bordas arredondadas e a textura áspera da capa foram me cativando de um jeito que agora mal posso esperar para ler outro livro com o mesmo design (aloooou Aleph!).

Quanto à história, eu esperava encontrar um enredo praticamente igual ao do filme de 1968 e de fato encontrei, mas estou até agora tentando entender o porquê das pequenas modificações no enredo da adaptação, uma vez que não são relevantes para a história. Anyway, apenas a título ilustrativo, vou elencar algumas diferenças:

LIVRO
FILME
Três pessoas (um cientista, seu assistente e um jornalista) viajam para um planeta distante, chamado Soror, muito semelhante à Terra.
Quatro pessoas (astronautas) viajam para um planeta distante, que descobrem mais tarde ser a Terra.
Chegando a Soror, o grupo se depara com um grupo de seres humanos nus.
No planeta desconhecido, o grupo também se depara com um grupo de humanos que utilizam como roupa peles de animais.
O protagonista se chama Ulysse.
O protagonista se chama Taylor.
Quando Ulysse é capturado pelos macacos, imediatamente tenta se comunicar, mas como fala um idioma diferente, os símios não compreendem de imediato a sua inteligência.
No filme, quando Taylor é capturado, é ferido na garganta, o que o impede de falar e, por consequência de demonstrar aos humanos a sua inteligência.
Soror é um planeta extremamente bem evoluído, os símios possuem aviões, carros, televisão e outros tantos equipamentos modernos.
Na adaptação, o planeta é pouco evoluído, quase primitivo.
Nova, uma das nativas da raça humana, acaba engravidando de Ulysse.
No filme, não há menção sobre gravidez de Nova.

Voltando à história, um grupo composto por dois cientistas e um jornalista viaja para um planeta distante da Terra e lá chegando se depara com um grupo de humanos agindo selvagemente e um grupo de símios extremamente evoluído e civilizado. O enredo parece bastante simples e nada aterrorizante, principalmente se nos lembrarmos das caracterizações dos personagens da primeira adaptação cinematográfica (aquela que mencionei de 1968), mas quando nos damos conta da inversão de papéis e das práticas aplicadas aos humanos, o livro se torna um grande golpe baixo.

Planeta dos Macacos (1968)
Pensem comigo: hoje, na Terra, em pleno século XXI, os testes em animais são normais. Os humanos, os grandes donos da verdade e as criaturas mais inteligentes do mundo (sic), adoram utilizar criaturas inferiores, desprovidas de vida inteligente (macacos, por exemplo), para comprovar suas teses científicas, e essa prática, por incrível que pareça, aos nossos olhos, é absolutamente normal e necessária. Esse pensamento, de forma geral, não nos aterroriza, certo?

Agora, tentem inverter a situação: Os símios, os grandes donos da verdade e as criaturas mais inteligentes do mundo, adoram utilizar criaturas inferiores, desprovidas de vida inteligente (humanos, por exemplo), para comprovar suas teses científicas, e essa prática, por incrível que pareça, aos seus olhos é absolutamente normal e necessária.

Vai dizer, é APAVORANTE, não?

E é exatamente essa a intenção do livro, abrir os olhos do leitor e realizar uma crítica à sociedade moderna de forma inteligente e sutil, utilizando como ponto fraco o maior orgulho da humanidade: sua inteligencia absoluta.

E isso tudo nos é apresentado diante de uma escrita bastante simples, com uma descrição clara dos eventos, o que diferencia o autor de muitos outros do mesmo gênero. De outra mão, a simplicidade da apresentação da história apenas aumenta o charme de seu conteúdo, porque facilita o acesso do leitor e torna a leitura extremamente rápida e prazerosa.

Então, deixo aqui minhas cinco estrelas e uma grande recomendação de leitura.

Resenha | Fragmentados, de Neal Shusterman


Fragmentados - Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria .

Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.

O vencedor do Boston Globe-Horn Book Award, Neal Shusterman, desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo.

Fragmentados, um dos lançamentos da Editora Novo Conceito, é, também, uma distopia cheia de aventura. A história se passa em um período pós guerras (até metade do livro não sabemos exatamente as motivações da eclosão da guerra, tampouco os motivos que a encerraram), em que é normal crianças serem abandonadas na porta da casa de estranhos, que são obrigados a ficar com elas, assim como é normal crianças serem enviadas para fragmentação. O fenômeno da fragmentação é outro ponto que vamos descobrindo ao longo do livro, pois temos que, ironicamente, ir juntando as peças para compreender o seu conceito e entender o seu funcionamento.

Nesse mundo pós guerras, Connor, sem saber o motivo, é enviado pelos pais para a fragmentação. De outro lado, temos Risa, uma menina tutelada pela estado, que é enviada para fragmentação, porque o Governo quer cortar despesas. E, por último, temos Lev, um menino de uma família tradicional, que é enviado para a fragmentação como dízimo (como oferenda à Deus). Os três jovens, tem seus caminhos cruzados quando estão prestes a chegar ao Campo de Colheita (local onde se realiza a fragmentação) e no meio da situação, se veem fugindo do local.

A partir da fuga, as relações entre o trio começam a se estreitar até o momento em que se separam e depois se reencontram no Cemitério (antigo cemitério de aviões, que serve de abrigo para os fragmentários foragidos). E é aqui, meus amigos, que o "vuco vuco" fica sério.

Até boa parte do livro, o leitor não tem noção da complexidade e da monstruosidade que é a fragmentação e, como dito, temos que ir juntando as peças até conseguir visualizar o quadro completo. No entanto, em um dos capítulos finais, temos uma descrição parcial do procedimento, o que não é nada agradável. 

O livro pode ser visto como uma interessante crítica social, ou pelo menos, uma crítica futura da sociedade, sobretudo no que diz respeito a supervalorização dos ideais pessoais em que relação a própria vida humana. A guerra que acontece no livro foi resultado do conflito entre aqueles que eram favoráveis ao aborto e aqueles que defendiam o movimento pró vida, sendo a guerra finalizada após o acordo que instituiu a fragmentação (procedimento que, a grosso modo, dá "um jeito" nos cidadãos indesejados pela sociedade, sem por fim às suas vidas). Assim, vemos que a necessidade da defesa dos ideais (pró aborto x pró vida) se sobressai em relação à consideração da dignidade da pessoa humana (o princípio mais defendido no mundo dos dias de hoje).

Assim, de forma geral, posso dizer que a leitura foi bastante agradável e corrida, pois sempre temos acontecimentos cheios de emoções e que ocorrem com algum propósito útil à narrativa, ou seja, os personagens vivem se ferrando, mas não à toa. De outra mão, a narrativa tem alguns alguns pontos falhos e, até certo ponto, de resolução infantil, o que não chega a ser um problema que afeta efetivamente a história. Por fim, digo que a história (que já está em fase de pré produção para os cinemas) teve um desfecho que induz a uma continuação, que espero, sinceramente, que ocorra.

Resenha | Apenas Um Dia, de Gayle Forman

Recebi de parceria com a Editora Novo Conceito o livro Apenas Um Ano, da escritora Gayle Forman, mas quando peguei o livro para ler, me dei conta de que não havia lido o primeiro livro (acho que fiquei hipnotizada pela capa)! Então corri para uma livraria e comprei o "Apenas Um Dia".

Apenas Um Dia conta a história de Allyson, uma adolescente atípica (sempre procurou andar na linha e não decepcionar os pais), que ganha uma turnê pela Europa como presente de formatura do ensino médio e lá acaba encontrando um motivo especial para "sair da linha".

Alguns dias antes de terminar a turnê, Allyson conhece Willem, um jovem ator de rua que interpreta personagens das obras de Shakespeare, por quem de imediato sente algo especial. Assim, durante uma conversa, acaba contando a Will que seu desejo era conhecer Paris, mas que em razão de uma greve na cidade, a turnê não pode por lá passar. Então Will, dá a ideia de juntos passarem um dia em Paris.

Willem e Lulu, parte então para Paris.

Espera aí. Lulu?

Bom, Willem dá à Allyson o apelido de Lulu, por achá-la muito parecida com uma famosa atriz do cinema mudo.

Voltando ao assunto, Willem e Lulu partem para Paris a fim de sair da rotina, literalmente. No caminho, Lulu começa a perceber um estranho comportamento de Will, principalmente no que diz respeito a outras meninas: o guri arrasta asa para todas de forma escancarada! Mas Lulu acaba cedendo aos encantos do rapaz e segue viagem.

Chegando a Paris, Lulu mais uma vez se decepciona com Will: o jovem a leva para conhecer, ainda que não intencionalmente, uma de suas "ex" e durante uma caminhada ainda para para pegar o telefone de outras duas garotas!!!! Mas tudo bem, Lulu se mantém firme e forte ao lado do rapaz, principalmente na hora de encontrar um local para dormir (se é que vocês me entendem).

No dia seguinte, quando acorda, Lulu percebe que Will não está mais no local, que sua mochila está revirada, seu relógio sumiu e então, em meio ao desespero, percebe que foi abandonada. ABANDONADA.

Então Lulu, digo, Allyson, retorna aos Estados Unidos, se sentindo usada, abandonada e acima de tudo, com aquele sentimento de ter deixado para trás, não só uma rápida paixão, mas tudo aquilo que havia colaborado para que ela tivesse coragem de demonstrar quem ela realmente era.

Não contarei mais detalhes do enredo para evitar spoiler, mas o que posso dizer é que o livro termina com uma grande reviravolta (então se você ainda não leu o livro, antes de lê-lo já trate de comprar o "Apenas Um Ano"!) e um mix de sentimentos (até agora não consegui identificar um sentimento predominante).

Ainda, posso dizer que ODEIO O WILLEM. Simples assim. Mas sinceramente espero mudar de opinião porque, afinal de contas, Will e Lulu formavam um casal fofíssimo e, além disso, convenhamos, é mais reconfortante acreditar no amor.

De outro lado, AMEI a inserção de Shakespeare na história, pois indiretamente somos apresentados (ou lembrados) à grandes clássicos que combinam perfeitamente com diversos pontos da narrativa de Gayle. Mais uma mistura interessante.

Por fim, posso dizer que, embora eu estivesse esperando uma história razoavelmente infantil, fiquei bastante surpresa, tanto com o enredo, quanto com a sua construção, pois, também, mesmo possuindo uma escrita simples e fácil, o livro nos transfere uma carga significativa de emoções, uma das característica mais procuradas e valorizadas pelos leitores.

Resenha | Saga do Fim do Mundo: Uma Visão do Fogo

Saga do Fim do Mundo: Uma Visão do Fogo, livro escrito pela incrível Gillian Anderson, a Scully de Arquivo X, e Jeff Rovin.

Antes de começar a resenha, preciso fazer duas confissões:

1.Comprei o livro às cegas, depositando toda a minha fé na Gillian;
2. Foi minha melhor compra às cegas.

A história começa nos apresentando Maanik e seu pai, o Embaixador da Índia na ONU, enquanto se deslocam até a escola da garota. Momentos depois de ter se despedido da filha, o Embaixador é vítima de um atentado, mas não sofre ferimentos sérios. De outro lado, Maanik, ao assistir a situação, acaba desenvolvendo um estranho comportamento.

Diante da reação de Maanik, por indicação de Ben (um dos intérpretes da ONU e amigo do pai da garota), o Embaixador acaba contratando os serviços da psicóloga Caitlin, que de imediato verifica que o comportamento da menina não é compatível com estresse pós traumático, como haviam suspeitado anteriormente.

A partir daí, uma série de eventos começam a acontecer: a menina começa a falar uma mistura de idiomas antigos e não mais utilizados pela civilização contemporânea, do outro lado mundo outras pessoas começam a desenvolver os mesmos sintomas e, ainda, animais começam a agir de forma diferente.

Mas o que esses eventos tem em comum? Por que somente agora começaram a acontecer? Caitlin tem algum envolvimento? Bom, essas e outras tantas perguntas são jogadas violentamente no colo do leitor, que desesperadamente tenta se livrar, devorando o livro intensamente.

Bem, como eu disse, comprei o livro às cegas, não fazia a menor ideia da sua história, e tudo que me incentivava à lê-lo era o fato de ter sido escrito pela Gillian Anderson (que até então eu não sabia que também era escritora). Quando finalmente iniciei a leitura, de imediato fui cativada pelo ritmo intenso e pela narrativa bem construída, o que me faz hoje ter pena de quem ainda não teve a oportunidade de degustá-la.

No entanto, um dos lados negativos do livro (bom, não é exatamente culpa do livro) é que eu não consegui recriar a personagem de Caitlin na minha cabeça, pois quando pensava nela, me vinha a imagem da Scully de Arquivo X, o que não é de todo ruim. Outro ponto é que o livro possui uma continuação (A Dream of Ice: EarthEnd Saga) que não possui expectativa de lançamento aqui no Brasil, mas já está em pré venda nos Estados Unidos (lançamento previsto para dezembro deste ano).

Bom, apesar dos "probleminhas" que não atrapalham em nada a história, a Saga do Fim do Mundo, por enquanto, já está entre minhas sagas favoritas da vida, que sempre que possível, indicarei. Portanto, levanta da cadeira e corre até a livraria mais próxima para comprar o livro e depois venha discutir comigo essa história (preciso desabafar com alguém)!

Resenha | Vango: Entre o Céu e a Terra, de Timothée de Fombelle

Eu já havia divulgado aqui a minha alegria de ter recebido da Editora Melhoramentos um exemplar de Vango - Entre o Céu e a Terra e na época eu disse: 

"Não preciso explicar muito o motivo da minha empolgação porque, gente, a história é de tirar o fôlego e dá para perceber isso só pela sinopse."

E agora, após finalizar a leitura, posso garantir que a história é realmente de tirar o fôlego!

A história se passa entre os acontecimentos da 1ª Guerra Mundial e da 2ª Guerra Mundial, o que nos garante o acesso muitos personagens já conhecidos, como Hitler, Stalin e Hugo Eckener, este último criador do Graf Zeppelin, que são trazidos para esse ambiente de aventura e mistério proporcionado por Vango.

O maior ponto positivo do livro é o ritmo incansável dos acontecimentos, o que deixa o leitor sem fôlego, combinado com o incrível cenário europeu e seus pontos turísticos (passamos pela Escócia, Inglaterra, Itália, França, Alemanha, etc). Ah! Além da Europa, a história nos leva também à América, mais especificamente ao Brasil.

Mas falando da história, tudo começa em Paris, durante a missa de ordenamento de Vango, momento em que a polícia tenta prendê-lo sem esclarecer o motivo e o rapaz acaba fugindo. Nesse meio tempo, a cidade inteira se mobiliza para encontrar o rapaz enquanto ele tenta desesperadamente entender o motivo da perseguição.

Ao lado dessa mescla entre realidade e ficção, temos, além do mistério sobre a perseguição de Vango, o de origem: Vango, quando criança, foi encontrado à beira mar junto de sua babá, por habitantes de uma pequena ilha do arquipélago italiano, sem que nada sobre eles fosse revelado. 

Assim, apesar de passarmos a maior parte do livro sem entender exatamente o que está acontecendo e tentando ajudar Vango a fugir em meio ao cenário entre guerras, o autor, para nos deixar ainda mais angustiados, insere na trama indícios de um grande complô político envolvendo os maiores líderes da guerra que está por vir e a busca por um grande tesouro deixado pelos pais do protagonista.

Preciso dizer mais? A história aborda todos os melhores elementos de uma verdadeira história de aventura e mistério, cheia de reviravoltas e referências históricas, o que torna a leitura impossível de ser interrompida e com gostinho de quero mais (o livro tem continuação e eu preciso saber o que acontece!!!). Enfim, acho que já deixei claro que eu super indico a leitura, ainda mais porque o livro está em promoção na Saraiva. Então corre lá, leia o livro e venha compartilhar comigo sua opinião (preciso conversar com alguém sobre a história! Socorro!).

Resenha | Lua de Larvas, de Sally Gardner

VOLTEI! Depois de passar pelo combo de 9 provas na faculdade e finalmente terminar o curso (SIM, VOU ME FORMAR! ALELUIA!), estou conseguindo separar uns minutinhos para fazer resenhas e colocar as leituras em dia.

Então vamos lá, vamos falar de Lua de Larvas (embora tenha umas 50 milhões de resenhas na internet), uma leitura que fiz no início do mês de maio (sim, maio).

Standish é um jovem cheio de sonhos e heroísmo, que vive, aparentemente, na Alemanha Oriental, durante a Guerra Fria, com seu avô, em uma região destruída pelos reflexos da guerra. A Guerra Fria é um período da história que ficou marcado pela visível divisão do mundo entre capitalistas/ocidente/Estados Unidos e comunistas/oriente/União Soviética, logo após o término da 2ª Guerra Mundial. Esse período também ficou conhecido pela disputa econômica, tecnológica, social e armamentista entre as duas super potências.

Após o desaparecimento dos pais (o que era muito comum na época), Standish e o avô se veem sozinhos e obrigados a cuidar um do outro, até o dia em que a vizinhança recebe novos moradores e a cumplicidade entre o grupo se amplia.

Hector, o novo vizinho, se torna o melhor amigo de Standish e juntos desenvolvem um estilo diferente de sobrevivência, baseado na mais pura imaginação, mas acabam se deparando com um projeto secreto do governo (a viagem do homem à lua), o que os coloca em uma situação de sério perigo.

Mas você deve estar se perguntando "ok, mas o que tem a história de tão especial?" e eu afirmo: o grande charme da história está em trazer os bastidores da Guerra Fria através da visão inocente e criativa de uma criança, o que ameniza os efeitos da guerra e transfere ao leitor um delicado sentimento de esperança.

Lua de Larvas se tornou um dos meus livros favoritos, não só pela história, mas por toda a anergia e bons sentimentos que transmite, bem como diante do perfeito equilíbrio entre a mais dura realidade e a mais inocente perspectiva, fatos que tornam a leitura extremamente irresistível.

Resenha | A Lista, de Cecelia Ahern

Cecelia Ahern ficou conhecida pelo livro P.S. Eu Te Amo, publicado em 2004 e adaptado para os cinemas em 2007, sendo que a partir daí a jovem autora escreveu uma série de livros de sucesso, dentre os últimos Simplesmente Acontece (também adaptado recentemente para os cinemas) e A Lista (tema desta postagem).

Em A Lista temos mais uma história desencadeada pela morte de uma personagem, assim como em P.S. Eu Te Amo. Constance, uma editora respeitada no meio em que trabalhava, descobriu que possuía câncer, doença que a levou à óbito, e cuja melhor amiga, Kitty, é a protagonista da história.

Kitty, uma jovem e talentosa jornalista, trabalhava na revista de Constance e em uma emissora de televisão, sendo que nesta última Kitty acabou pisando na bola ao acusar injustamente, em rede nacional, um pai de família de abuso sexual, fato que lhe rendeu suspensão do emprego, um processo judicial e o início de todo o drama.

Um dia, em uma visita à Constance no hospital, Kitty a questiona se existia alguma matéria que ela gostaria de escrever e que até aquele momento não havia encontrado uma oportunidade, prontamente a editora diz que sim, mas que o assunto da matéria ela só revelaria na próxima visita da amiga. No entanto, a próxima visita nunca ocorreu porque Constance acabou falecendo.

Assim, com o ocorrido, a equipe da etcetera, revista de Constance, resolveu dedicar a publicação daquele mês à sua fundadora e Kitty ofereceu a ideia de realizar a homenagem ao escrever a matéria que a editora sempre quis escrever. Contudo, o problema de conseguir desenvolver a matéria era que Kitty não fazia a menor ideia de seu conteúdo e a única pista que havia conseguido era uma lista contendo o nome de 100 pessoas aleatórias.

Sem revelar muitas informações para evitar spoilers, posso dizer que a missão de Kitty serve como lição de moral e como uma forma de recolocá-la nos eixos (de certo modo segue a mesma "filosofia" utilizada em P.S. Eu Te Amo). Além disso, a história apresenta uma essência carismática, bastante sensível e com alguns toques de comédia, drama e até mesmo um suspensezinho, o que transforma a leitura em um processo fluído e com gostinho de quero mais.

Por fim, de forma resumida, ainda posso dizer que gostei bastante da história e do estilo da escrita (foi meu primeiro contato com a Cecelia, pois apenas havia assistido ao filme de P.S. Eu Te Amo), o que me deixou morrendo de vontade de ler os outros livros da autora. De outro lado, o único aspecto que fez com que o livro perdesse pontos na minha avaliação, foi a forte semelhança com a estrutura de P.S. Eu Te Amo (filme), o que deixou a história um pouco previsível. Mas mesmo assim, não vejo a hora de que a história ganhe uma continuação ou, melhor, uma adaptação cinematográfica (por favor!).

Resenha | Mary Poppins, de P.L. Travers

Mary Poppins é uma das histórias infantis (e adulta, por que não?) mais cativantes de todos os tempos! Sem sombra de dúvidas, todos em algum momento já se depararam com o livro ou com o filme (aquele clássico da Disney) ou até mesmo como musical, certo? Não? Então para tudo! Vamos resolver essa situação!

P. L. Travers, embora tenha nascido na Austrália, viveu a maior parte de sua vida na Inglaterra , onde lançou diversos livros infantis, dentre eles, mais de um título da série Mary Poppins (como A Volta de Mary Poppins e Mary Poppins and the House Next Door, sendo este o último lançado). P. L. Travers morreu em Londres, em 1996, aos 96 anos.

O primeiro livro, que é também o mais conhecido da série Mary Poppins, foi lançado em 1934 e recentemente publicado em uma nova edição pela editora Cosac Naify (tem postagem com detalhes da edição), conta a história de uma babá perfeita que decide levar um pouco de magia para uma família tipicamente londrina dos anos 20/30.

Mary Poppins então passa a cuidar de Jane, Michael, John e Barbara, os quatro filhos do casal Banks, levando-os para conhecer incríveis mundos e criaturas mágicas, mas claro, tudo com a intenção de educá-los.

No filme produzido por Walt Disney em 1964, a história do livro se repete e ainda vem acompanhada de uma fantástica trilha sonora (o filme está na lista dos 25 maiores musicais de todos os tempos!). No elenco temos Julie Andrews e Dick Van Dyke como principais responsáveis por trilhar a história e cantar as belíssimas canções.

Apenas a título de curiosidade, segue a lista das músicas do filme:

  • Overture / Chim-Chim-Chree
  • Sister Sufragette (interpretada por Glynis Johns)
  • The Life I Lead (interpretada por David Tomlinson)
  • The Perfect Nanny (interpretada por Karen Dotrice e Matthew Garber)
  • A Spoonful of Sugar (interpretada por Julie Andrews)
  • Pavement Artist (interpretada por Dick van Dyke)
  • Jolly Holliday (interpretada por Dick van Dyke)
  • Supercalifragilisticexpialidocious (interpretada por Julie Andrews e Dick van Dyke)
  • Stay Awake (interpretada por Julie Andrews)
  • I Love to Laugh (interpretada por Ed Wynn, Julie Andrews e Dick van Dyke)
  • A British Bank (interpretada por David Tomlinson e Julie Andrews)
  • Feed the Birds (interpretada por Julie Andrews)
  • Fidelity Fiduciary Bank (interpretada por Dick van Dyke e David Tomlinson)
  • Chim Chim Ch-ree (interpretada por Dick van Dyke e Julie Andrews)
  • Step in Time (interpretada por Dick van Dyke)
  • A Man Has Dreams (interpretada por David Tomlinson e Dick van Dyke)
  • Let's Go Fly a Kite (interpretada por David Tomlinson, Glynis Johns, Karen Dotrice, Matthew Garber e Dick van Dyke)

A história de Travers ainda foi levada para os palcos com o musical Mary Poppins em 2004 e desde então segue em cartaz em diversos países. Aqui cabe uma ressalva, a T4F (Time For Fun), uma empresa de entretenimento ao vivo, abriu audições em abril para atores que desejam participar da versão brasileira do musical. Vamos torcer para que em breve tenhamos novidades!

Voltando ao livro, a história trazida por P. L. Travers é simples e, ao mesmo tempo, sensível, de modo que se adequa facilmente a todas as idades, gerações e famílias. Um história que é possível reler sem cansar e impossível de não contar aos filhos e netos. Uma verdadeira preciosidade da literatura que indico sempre que possível.

Resenha | A Mais Pura Verdade, de Dan Gemeinhart

Primeira resenha da parceria com a Novo Conceito aeaeaeaeaeaeae! E, gente, comecei com o pé direito! Que livro! Acompanhem o meu raciocínio: um livro com uma criança como protagonista é fofo, não? E um livro com um cachorro? Fofo também, né? Agora, juntem um menino e um cachorro em um livro, aliás, juntem um menino doente e um cachorro em um livro. MEU DEUS. CHOREI.

A história de A Mais Pura Verdade começa com Mark, um menino aparentemente travesso, fugindo de casa com o seu cachorro para viver uma aventura. No entanto, ao longo da aventura, vamos conhecendo Mark e seu cachorro, Beau. Descobrimos que o menino possui uma doença grave e que Beau é um animal peculiar, é meio claro e meio escuro, além de ser muito fiel, até que finalmente entendemos porque Mark fugiu e o que ele pretende fazer com a sua vida.

A Mais Pura Verdade é uma história de superação e sobretudo de amizade, pois temos a batalha de uma criança contra uma doença grave e um grande exemplo de amizade entre Beau e Mark e entre Mark e Jess, sua melhor amiga da vida.

A narrativa é bastante simples (possível realizar a leitura em poucas horas), cheia de momentos de tirar o fôlego (afinal, é uma aventura!) e outros tantos momentos emocionantes (passei o livro inteiro querendo pegar o Mark no colo e trazer para casa e ainda não perdi as esperanças de raptar o Beau). Ainda, a história possui os ingredientes básicos para uma cativante adaptação cinematográfica (por favor), daquelas que nos fazem rir, chorar, torcer e ainda garante bons momentos de reflexão.

Assim, você que ainda não leu ou que ainda não adquiriu o livro, corra para a livraria mais próxima e e entre nessa emocionante aventura (venha chorar comigo), de personagens dóceis e de leitura envolvente (sem contar que o livro fica lindo na estante). É a mais pura verdade.

Resenha | Os Goonies, de James Kahn



Os Goonies acompanharam muito marmanjo por aí durante a infância e aposto que continuam a acompanhar, afinal, quem resiste a uma boa história de aventura e caça ao tesouro?

A história original, apresentada no filme de Steven Spielberg, conta a aventura de Mickey, Brand, Bocão, Dado e Gordo, um grupo de amigos que vive em um pequeno bairro onde os moradores estão prestes a ser despejados (a menos que tenham dinheiro suficiente para "readquirir os imóveis"). Os meninos, na véspera do despejo, encontram um mapa do tesouro, que supostamente foi escondido por Willy Caolho, e Mickey decide sair em busca da fortuna.

No entanto, o que as crianças não esperavam é que entre eles e o tesouro existisse uma família mafiosa. procurada pelo FBI por diversos crimes! E a partir daí, decidem tomar doses extras de coragem para seguir até o objetivo e salvar a comunidade do despejo. Mas será que conseguem? Como passam pela família? Será que algum grande herói salvará as crianças? Bom, só lendo o livro ou assistindo ao filme para saber.


Falando em filme, a versão cinematográfica, que foi lançada antes do livro (sim, o livro foi baseado no filme), foi lançada em 1985 e tem em seu elenco Sean Astin (trilogia O Senhor dos Anéis), Josh Brolin (Guardiões da Galáxia), Jeff Cohen, Corey Feldman (Sem Licença Para Dirigir), Ke Huy Quan (Indiana Jones e O Templo da Perdição) e John Matuszak.


Voltando ao livro, a história é bastante cativante, do tipo que reúne a família, e cheia de momentos emocionantes, aliás, a aventura é cheia de surpresas e mistérios. A publicação da história aqui no Brasil ficou sob responsabilidade da Darkside Books, que primeiramente lançou uma edição especial numerada e, após o sucesso, disponibilizou outras duas versões, uma simples e outra especial (sem numeração e com mapa).



Os diálogos e acontecimentos são extremamente fiéis ao filme a ponto de ser assustador! É  quase como "ler o filme", o que me fez adorar a experiência de ler um livro pós versão cinematográfica. E além de todos estes pontos positivos, a história super gostosa, com cheiro de infância e que, com certeza, lerei para os meus filhos. 

Resenha | Psicose, de Robert Bloch

Cresci assistindo aos clássicos do cinema que meu avô me indicava: Por Quem Os Sinos Dobram, A Um Passo da Eternidade, entre tantos outros. No entanto, o que mais me encantou e surpreendeu foi "Psicose", de Alfred Hitchcock.

A partir do momento em que conheci o filme, comecei a ler bastante sobre os bastidores e sobre o desenvolvimento da história, até que descobri que o filme era baseado em um livro, de mesmo nome, escrito por Robert Bloch. Enlouqueci! Precisava encontrar o livro! Então minha epopeia teve início.

Procurei enlouquecidamente nas livrarias e sebos durante anos e nunca encontrei! Estava prestes a desistir quando a Darkside Books decidiu republicar o título no Brasil! Viva!

A editora disponibilizou duas edições: uma de capa dura (foto acima) e uma mais simples, ambas com o mesmo conteúdo.

E assim meu sonho virou realidade.

Psicose, de Robert Bloch, deveria ser incluído no rol de livros indispensáveis, não apenas em razão de sua história criativamente bem construída, mas, sobretudo, devido a qualidade da escrita, que são requisitos essenciais para uma boa leitura.

A trama, aparentemente, acompanha o drama de Mary, uma jovem que acaba de roubar o dinheiro de seu chefe para poder construir sua vida ao lado do amado, enquanto foge da cidade e tenta se manter anônima.

Durante o percurso, Mary para em um pequeno hotel de beira de estrada, o Hotel Bates, onde decide passar a noite e acaba conhecendo um dos donos, Norman Bates.

Após alguns minutos de conversa com seu hospedeiro, a jovem decide ir para o quarto e descansar, porém, durante o banho, é surpreendida ao ser violentamente assassinada. E é aí que a história começa a ficar interessante.

A história de uma hora para outra tem uma reviravolta. A fuga de Mary, até então protagonista, se torna o menor dos problemas, e o ponto central passa a ser a descoberta da identidade do assassino e o que o levou a tomar uma medida tão extremada.

Assim passamos a pensar: seria o inofensivo Norman o assassino? Talvez sua mãe doente e irritadiça? Ou um dos hospedes do hotel? Ou, ainda, o chefe de Mary que descobriu seu paradeiro? Todas as hipóteses são possíveis e apenas Bloch pode nos guiar até o terrível desfecho.

Quanto a leitura, a narrativa é tão fantástica quanto o filme, mesmo apresentando algumas variações, e cumpre a ideia do autor de interligar os aspectos da história e as características do personagem com a história real de Ed Gein, um dos psicopatas mais assustadores da história americana e "muso" inspirador de diversas histórias de terror e suspense.

Por fim, posso dizer que valeu a espera e a busca pelo livro pois a história é maravilhosa e a edição espetacular. A leitura pode ser realizada em um único dia de tão fácil e eletrizante que é e o livro é ainda mais fácil de ser colocado na lista de releituras constantes, ou seja, uma perfeita reunião de pontos positivos que todo leitor sonha em esbarrar por aí.

Resenha | Trilogia de Cícero: Imperium, de Robert Harris

Imperium é o primeiro livro da Trilogia de Cícero, escrita por Robert Harris, e também o primeiro livro do desafio literário proposto aqui no blog (temas históricos).

A proposta da trilogia é acompanhar a vida política de Cícero, mostrando desde o início de seus estudos de filosofia e oratória para se tornar advogado, até o momento em que chega ao ápice de sua carreira, como cônsul romano.

A história é narrada por Tiro, escravo e assessor de Cícero, que decide escrever suas memórias, quando atinge idade avançada, para guarda-las para a posteridade. Importante mencionar que, muito embora grande parte da narrativa seja ficção, Harris utilizou muitas anotações e arquivos históricos do próprio Tiro, aumentando, assim, o grau o de veracidade da história.

Tiro, apesar de não possuir muito destaque na história romana, muito em razão de sua colocação social, ficou conhecido por desenvolver uma técnica inovadora de taquigrafia, baseada em símbolos, que lhe possibilitava registrar palavra por palavra do que era dito por seu mestre Cícero. Fato que facilitou e proporcionou à Robert Harris a publicação dos livros.

Imperium se tornou um dos meus queridinhos da vida, a história é cheia de detalhes e a descrição dos ambientes é absurdamente fantástica! É impossível não se sentir fazendo parte da história ao torcer pela vitória de Cícero e pela derrota dos corruptos, bem como aprender detalhes da vida cotidiana daquelas pessoas e compreender a essência da Política e do Direito. O livro é, simplesmente, uma máquina do tempo.

O único ponto negativo, que não é tão grave e talvez nem seja culpa do livro, é que achei a leitura arrastada, talvez em razão dos inúmeros detalhes e da necessidade da narrativa da vida cotidiana, no entanto, tal "defeito" não desvaloriza a história, apenas torna a leitura trabalhosa.

Contudo, a o primeiro livro da trilogia ganhou meu coração e um lugarzinho eterno na minha estante, assim como seus irmãos, Lustrum (próxima leitura do desafio) e o terceiro livro, ainda sem título e com data de lançamento para setembro deste ano (ainda sem previsão para a terra dourada).

Resenha | Maze Runner: Correr ou Morrer, de James Dashner

Conheci Maze Runner através do canal Geek Freak justamente na época em que o primeiro trailer foi divulgado e de imediato fiquei tipo 'OMG! Preciso ler isso! Preciso saber se o menino vai ser esmagado pelo labirinto!'. Então comprei o box com os livros :D

Devo admitir que li o primeiro livro em 3 dias. Isso mesmo. TRÊS DIAS. Que livro! 

A história começa bem como o trailer mostra, Thomas acordando dentro de uma caixa e se deparando com um grupo de meninos. Logo Thomas descobre alguns dos mistérios do local e passa a entender um pouco mais sobre a organização da pequena sociedade, fato que o incentiva a querer ser um corredor.

Corredor é aquela pessoa que passa o dia correndo. Brincadeira. Na história os corredores são os jovens mais velozes e inteligentes, são responsáveis por percorrer o labirinto e mapeá-lo, sempre tentando encontrar uma saída ou um padrão, uma vez que as paredes do labirinto mudam de lugar todas as noites.

Nesse meio tempo acontecem várias tretas, Thomas quebra regras consideradas inquebráveis, algumas pessoas são picadas  por uns bichos meio steampunks, outras somem, uma garota aparece, etc. e tudo isso em um curto espaço de tempo. A história segue uma linha constante de acontecimentos cheios de ação. É praticamente impossível parar de ler!

Sobre os meninos, é importante mencionar que achei o grupo muito semelhante àquele do livro O Senhor das Moscas, onde temos jovens em um lugar isolado, sem adultos por perto e que tentam viver em comunidade. A diferença está que no livro de Golding os meninos não obtém êxito (isso não é um spoiler) na reestruturação da sociedade, enquanto que em Maze Runner a sociedade é bastante organizada e evoluída.

Um ponto negativo na história, pelo meu ponto de vista, é que os meninos criam palavras novas para aquelas de "baixo calão". Achei a atitude infantil e desnecessária, vez que, geralmente, tal comportamento é realizado para evitar repreensão de adultos (minha opinião) e, uma vez que na história não temos a presença de adultos, simplesmente não há motivos para a substituição de palavras. Mais uma vez, minha opinião.

Mas de forma resumida posso dizer que adorei o livro e não vejo a hora ler os próximos (aliás, não sei como ainda não li!), o desfecho é magnífico e inesperado, temos algumas cenas emocionantes e outras de tirar o fôlego, em fim, o livro é um equilíbrio interessante de misturas que agradam vários públicos e extremamente compatível com versões cinematográficas.

Você pode adquirir o livro clicando na imagem abaixo.













Resenha | Vlad: A Última Confissão, de C.C. Humphreys

Todo mundo em algum momento da vida já valorizou uma boa história de vampiros, certo? E como bons leitores ou telespectadores em algum momento tivemos acesso à história do temível Conde Drácula, mas o que muitos desconhecem é que a história escrita por Bram Stocker foi inspirada em em Vlad Dracul, o Príncipe da Valáquia, mais conhecido como O Empalador.

O livro escrito por C. C. Humphreys conta, ao que tudo indica, a real história de Vlad. O jovem príncipe, ainda quando criança, fora entregue pelo pai aos muçulmanos, assim como seu irmão, Radu. Os príncipes foram criados como se muçulmanos fossem, frequentavam as escolas, compartilhavam a filosofia, mas acabavam sofrendo preconceito, principalmente de Medmed, o filho do Sultão.

Após algumas intrigas com Medmed, Vlad, foi "condenado" a frequentar a pior escola da época, uma escola que tinha por objetivo ensinar torturas. O jovem príncipe, que sempre fora muito culto e apreciador de belas artes, se viu obrigado a praticar e a presenciar as mais terríveis torturas. 

Após o terrível período na escola, Vlad descobre que seu pai e seu irmão mais velho foram covardemente assassinados pelo seu primo e, inesperadamente, recebe apoio dos muçulmanos para retomar o trono em troca de sua lealdade. 

E assim o ingênuo e culto Vlad dá o primeiro passo rumo ao que deu origem a sua fama.

A história de Vlad é narrada através de três depoimentos durante o seu julgamento póstumo. Ilona (amor da vida do Príncipe), o melhor amigo do voivoda e o seu confessor são os responsáveis pela narrativa.

O livro aborda de forma dinâmica e cheia de detalhes a vida do Empalador e assim descobrimos a origem de seu apelido, o que lhe fez agir de forma tão violenta e o que tanto chamou a atenção de Bram Stocker para incluí-lo em uma história de vampiros. Também temos acesso à personalidade extrema cristã de Vlad, fato que o motivou a inúmeras vezes a lutar em nome das Cruzadas.

Por fim, a história apresenta um final fantástico e surpreendente, digno de uma história de lutas, aventuras, superações, vingança e sangue, muito sangue. Indico o livro a todos que desejam conhecer um pouco mais sobre esse período da história e sobre esse icônico personagem cheio de mistérios.

Conhecendo a edição | Neuromancer, edição especial de 30 anos

Como sou uma pessoa que comprar 99% dos livros pela internet e sente uma enorme satisfação em encontrar belas edições, gosto de, antes de finalizar os pedidos, assistir algum unboxing ou analisar fotos dos itens a serem comprados. No entanto, senti muita dificuldade em obter informações sobre a edição especial de 30 anos de Neuromancer, lançada recentemente pela editora Aleph, principalmente informações sobre a "polêmica lombada". 

Pensando nisso, assim que meu livro amado chegou, resolvi fazer essa postagem mostrando algumas fotos e detalhes da edição.


Luva com cinta
Detalhe da cinta
"Contracapa da luva"
Lateral da luva mostrando a lombada do livro
Lateral da luva com o titulo e o autor do livro
Interior da luva
"capa" do livro
"contracapa" do livro
Eis a polêmica lombada
Detalhe da lombada: tem o nome do autor, William Gibson, escrito em pequenas letras
Os capítulos são divididos com esta arte
Detalhe das páginas
Achei a edição belíssima e destinada àqueles que já conhecem a obra e pretendem possuí-la apenas na estante. Digo isso pois o livro é bastante frágil, sobretudo em razão da lombada exposta, que acaba atrapalhando um pouco no manuseio por ser meio "grudenta". De outra mão, como disse, é uma edição fantástica e cheia de detalhes, acho que até agora não consegui descobrir todos. Ainda possui alguns extras: "Introdução especialmente escrita por William Gibson para o Brasil", "Entrevista de 1986 com o autor, inédita em língua portuguesa", "Os contos, Johnny Mnemônico, Queimando Cromo e Hotel New Rose". Por fim, é um livro arte que não me arrependo de ter adquirido, aliás, se não tivesse comprado, compraria agora.


Você pode adquirir o livro clicando na imagem abaixo.





Resenha | Meu Primeiro Assassinato, de Leena Lehtolainen


Confesso que quando vi esse livro na livraria logo pensei "bah, um livro onde o vilão é o protagonista! Fantástico", mas quando comecei a leitura, percebi que não era bem assim.

A história, na realidade, acompanha um suposto assassinato a ser investigado pela policial Maria Kallio, uma finlandesa que ainda está a procura de seu lugar ao sol e que, sem querer, esbarra no trágico evento.

Um grupo de jovens participantes de um coral decidem se reunir durante o final de semana na casa de Jukka para ensaiar, porém, no dia seguinte, acabam encontrando-o morto, boiando no mar. A partir daí as teorias têm início. De imediato as investigações sugerem morte acidental: o jovem teria bebido além do limite razoável e escorregado sobre as pedras próximas ao mar. Em um segundo momento, após a perícia, descobrem ferimento incompatível com uma simples queda. Mas então, quem dentre os jovens amigos teria agredido o dono da casa? E quais os motivos? O que de fato teria acontecido?

"Meu Primeiro Assassinato" desenvolve a história de forma bem mediana, acompanhamos as idas e vindas da novata policial, que ao longo de toda a trama é manipulada pelo(a) assassino(a) ou assassinos, de forma quase digna de pena. Ao final da história, ficamos esperando um grande desfecho, algo que amarre todas as pontas e justifique as cansativas voltas dadas pela protagonista, no entanto, o crime se resolve com base apenas nos acontecimentos finais, dando a sensação de que o restante não passou de enrolação. De outro lado, o leitor ingênuo encara ao lado da policial as pistas relevantes e as falsas, sendo instigado pela dúvida e pela curiosidade a buscar pela solução do crime.

Assim, o primeiro livro da série que acompanha as investigações de Maria Kallio, apesar de provocar a necessidade da descoberta do(a) assassino(a) e suas motivações, tem o seu desenrolar bem fraco e incompatível com o trabalho de uma autora que escreve há mais de 40 anos.

Resenha | O Iluminado, de Stephen King


Sem sombra de dúvidas, Stephen King é conhecido por inigualáveis obras de terror, que costumam abordar temas complexos e impactantes. O autor já teve várias de suas obras adaptadas para cinema, como Carrie e O Iluminado, e outras tantas adaptadas para o mundo das séries e das minisséries, como a recente Under The Dome, por exemplo. Outro aspecto indiscutível sobre King é sua capacidade de desenvolver e criar personagens com uma incrível proximidade às diversas personalidades humanas, assim, os leitores automaticamente se identificam com essas criações construindo, inclusive, laços afetivos de difícil desvinculação. Fato notório em O Iluminado.

A família Torrance, composta por Jack (pai), Wendy (mãe) e Danny (filho), é extremamente complexa. Jack se tornou um adulto frustrado por não ter obtido êxito profissional desejado (Jack é professor em uma pequena escola), fato que, aliado aos problemas familiares que passou durante a infância, contribuiu para sua dependência alcoólica. Wendy é dona de casa, muito embora tenha frequentado o ensino superior, e, assim como o marido, teve uma difícil infância. Danny, por sua vez, é um menino muito especial, porém solitário, que possui um único amigo, Tony, fruto de sua imaginação. Bom... pelo menos achamos ser.

Jack, após um ato descontrolado enquanto embriagado, acaba por machucar Danny e, arrependido, decide de vez dar um jeito na vida e largar a bebida. Posteriormente, muito talvez devido à abstinência, Jack acaba agredindo um aluno e sendo demitido. Assim, ainda desejando reconstruir a vida e prover condições melhores para a criação de Danny, Jack consegue um emprego temporário, como zelador de um grande hotel, o Hotel Overlock, durante o inverno, período em que o estabelecimento fica fechado ao público. E é aí que as “tretas” tem início. 

Já trabalhando no hotel, Jack desenvolve uma absurda necessidade de melhor conhecer a história do local, passando horas a fio lendo antigas reportagens sobre os trágicos incidentes lá ocorridos, bem como sobre as famosas festas frequentadas por célebres hospedes, e a cada novo fato descoberto, Sr. Torrance dá um passo em direção à sua fundição ao hotel.

De outro lado, Danny passa a ter crises (desmaios e, as vezes, convulsões) mais frequentes, onde Tony lhe mostra os perigos do hotel e a iminente destruição da família. 

E, alheia a todos os acontecimentos, Wendy segue sua vidinha pacata de tricotar e fazer as refeições da família.

Ao longo da história, temos acesso a diversas variáveis, comportamentos e reflexões, que agem como justificativas que auxiliam na manifestação da conduta psicótica de Jack e da construção das barreiras que aprisionam sua alma ao velho Overlock. Assim, King, ao recriar o personagem composto por infinitas características complexas tipicamente humanas, absorve o leitor para dentro da história, obrigando-o à cumplicidade. De outra mão, temos também as aparições bizarras e apavorantes, repito, A-PA-VO-RAN-TES, que surgem no hotel, extremamente bem descritas e dignas de arrepios e noites mal dormidas.

No entanto, o que mais me impressionou na narrativa não foram os arrepios e as noites mal dormidas e sim, o enfoque e a dedicação do autor em criar os personagens tão humanos a ponto de, praticamente, tornar impossível manter distância emocional, deixando o leitor, ao mesmo tempo, culpado diante da cumplicidade das atrocidades expressas pelo patriarca da família e aterrorizado ao se colocar no papel das vítimas. Nesse sentido, posso afirmar que O Iluminado se tornou uma das minhas obras favoritas a serem lidas durante o dia. Sim, durante o dia. Apenas.  

Resenha | Saga de Bravos, de Patricia de Luna

Recebi em parceria com a Patricia de Luna e com a editora Idea o incrível Saga de Bravos, inclusive na época do recebimento fiz uma postagem aqui no blog apresentando o livro, e devo confessar que me apaixonei pela história no momento em que li a sinopse e após terminar o livro senti um vazio inexplicável.

Explico o porquê:

No livro há uma conexão atraente e lógica entre histórias e lendas que até então pareciam divergentes e essa conexão é tão bem alinhavada e fundamentada que de imediato passamos a ser defensores de sua veracidade. Assim, um leigo e até mesmo um conhecedor mais experiente, historicamente falando, mergulha cegamente nessa recriação da história e passa a desejar ser um de seus personagens.

Na história temos três personagens centrais: Ariadne, Simão e Hebrom. Ariadne é uma talentosa cantora, que possui também o dom da vidência e que vive no mundo contemporâneo. Ariadne também é a reencarnação de Miriam, esposa de Simão. Simão e Hebrom são velhos conhecidos, e quando digo velhos, quero dizer muito velhos, eles são os cavaleiros do apocalipse (dois cavaleiros escolhidos para proteger o Graal e testemunhar o fim dos tempos) e há mais de 2000 anos vagam pela Terra à espera do grande evento. Importante mencionar que Hebrom nem sempre teve este nome, antigamente era conhecido como Bar Abbas (Barrabás). Sim, é o Barrabás que você está pensando, aquele ladrão que foi libertado no lugar de Jesus.

Simão ao receber a missão de testemunhar o fim dos tempos também foi condenado à imortalidade e, por consequência, a presenciar a morte de todos os entes queridos. Assim, ao longo dos séculos, ao mesmo tempo que cumpre seu propósito, Simão também coloca em prática sua missão particular: encontrar a reencarnação de Miriam.

Assim chegamos ao ano de 2012, onde Simão encontra Ariadne (reencarnação de Miriam), tenta reconquistá-la, liberta-la das garras de Hebrom (sim, Hebrom dá uns "pegas" na Ariadne e aposto que foi por pura implicância) e reencontrar o Graal, que há muito foi perdido. E nesse "vuco vuco" vamos conhecendo detalhes da história de Simão e de Hebrom, os eventos que presenciaram, as participações que tiveram em momentos decisivos da história e a surpreendente importância do Brasil. E, repito, tudo isso contado de forma linear, com uma incrível conexão lógica e, claro, com muita magia e fé.

Saga de Bravos é uma história deliciosa, com sabor de quero mais e que provoca um terrível sentimento de vazio ao final das 479 páginas. É um livro dedicado não apenas àqueles que gostam de temas históricos, mas a todos que desejam fazer parte do testemunho mágico que é acompanhar a evolução dos tempos e a ultrapassagem das barreiras impostas até o caminho da felicidade eterna.

Você poderá adquirir o livro através do site da editora ou através do site da Livraria Cultura.