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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Resenha | Todos Os Nossos Ontens, de Cristin Terrill

Todos os Nossos Ontens, escrito por Cristin Terrill, não é apenas um livro de capa bonita que veio acompanhado de um marcador de páginas fantástico. O livro é simplesmente uma das melhores distopias que já li.

A intenção da história é deixar o leitor com a pulga atrás da orelha diante da afirmação "destrua o passado para salvar o seu futuro", sobretudo ao obriga-lo a imaginar como que raios seria possível realizar tal proeza e o que há de tão ruim no futuro.

Assim, a história começa nos apresentando Em e Finn, dois prisioneiros do terrível Doutor, em algum momento no futuro. Os prisioneiros são constantemente torturados a fim de que revelem a localização de algo (ainda desconhecido pelo leitor) essencial para o Doutor e o governo (que estão destruindo o mundo).

Em um determinado momento, Em se dá conta de que a única forma de evitar o destino trágico do mundo é alterando o passado. Mas como? Obviamente não contarei, mas digo que no universo apresentado no livro é possível.

Em e Finn acabam então voltando ao passado, momento em que devem, ironicamente, correr contra o tempo para realizar as devidas alterações, mas evitando atitudes drásticas que possam trazer resultados mais negativos ao futuro.

E então fica a pergunta: "Será que Em e Finn conseguirão alterar o futuro como planejado?" Bom, só lendo para saber.

Quanto à leitura, posso dizer que foi extremamente agradável e fluída, graças aos momentos constantes de ação. Ainda, além da história de Em e Finn do futuro, em contraste, acompanhamos a história de Marina (Em) e Finn do presente, que buscam entender o porquê de tantos acontecimentos malucos e aparentemente sem sentido.

Todos os Nossos Ontens se tornou uma das minhas melhores leituras do gênero em 2015 e item permanente da minha lista de indicações de leitura.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Resenha | Fragmentados, de Neal Shusterman


Fragmentados - Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria .

Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.

O vencedor do Boston Globe-Horn Book Award, Neal Shusterman, desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo.

Fragmentados, um dos lançamentos da Editora Novo Conceito, é, também, uma distopia cheia de aventura. A história se passa em um período pós guerras (até metade do livro não sabemos exatamente as motivações da eclosão da guerra, tampouco os motivos que a encerraram), em que é normal crianças serem abandonadas na porta da casa de estranhos, que são obrigados a ficar com elas, assim como é normal crianças serem enviadas para fragmentação. O fenômeno da fragmentação é outro ponto que vamos descobrindo ao longo do livro, pois temos que, ironicamente, ir juntando as peças para compreender o seu conceito e entender o seu funcionamento.

Nesse mundo pós guerras, Connor, sem saber o motivo, é enviado pelos pais para a fragmentação. De outro lado, temos Risa, uma menina tutelada pela estado, que é enviada para fragmentação, porque o Governo quer cortar despesas. E, por último, temos Lev, um menino de uma família tradicional, que é enviado para a fragmentação como dízimo (como oferenda à Deus). Os três jovens, tem seus caminhos cruzados quando estão prestes a chegar ao Campo de Colheita (local onde se realiza a fragmentação) e no meio da situação, se veem fugindo do local.

A partir da fuga, as relações entre o trio começam a se estreitar até o momento em que se separam e depois se reencontram no Cemitério (antigo cemitério de aviões, que serve de abrigo para os fragmentários foragidos). E é aqui, meus amigos, que o "vuco vuco" fica sério.

Até boa parte do livro, o leitor não tem noção da complexidade e da monstruosidade que é a fragmentação e, como dito, temos que ir juntando as peças até conseguir visualizar o quadro completo. No entanto, em um dos capítulos finais, temos uma descrição parcial do procedimento, o que não é nada agradável. 

O livro pode ser visto como uma interessante crítica social, ou pelo menos, uma crítica futura da sociedade, sobretudo no que diz respeito a supervalorização dos ideais pessoais em que relação a própria vida humana. A guerra que acontece no livro foi resultado do conflito entre aqueles que eram favoráveis ao aborto e aqueles que defendiam o movimento pró vida, sendo a guerra finalizada após o acordo que instituiu a fragmentação (procedimento que, a grosso modo, dá "um jeito" nos cidadãos indesejados pela sociedade, sem por fim às suas vidas). Assim, vemos que a necessidade da defesa dos ideais (pró aborto x pró vida) se sobressai em relação à consideração da dignidade da pessoa humana (o princípio mais defendido no mundo dos dias de hoje).

Assim, de forma geral, posso dizer que a leitura foi bastante agradável e corrida, pois sempre temos acontecimentos cheios de emoções e que ocorrem com algum propósito útil à narrativa, ou seja, os personagens vivem se ferrando, mas não à toa. De outra mão, a narrativa tem alguns alguns pontos falhos e, até certo ponto, de resolução infantil, o que não chega a ser um problema que afeta efetivamente a história. Por fim, digo que a história (que já está em fase de pré produção para os cinemas) teve um desfecho que induz a uma continuação, que espero, sinceramente, que ocorra.

Resenha | Lua de Larvas, de Sally Gardner

VOLTEI! Depois de passar pelo combo de 9 provas na faculdade e finalmente terminar o curso (SIM, VOU ME FORMAR! ALELUIA!), estou conseguindo separar uns minutinhos para fazer resenhas e colocar as leituras em dia.

Então vamos lá, vamos falar de Lua de Larvas (embora tenha umas 50 milhões de resenhas na internet), uma leitura que fiz no início do mês de maio (sim, maio).

Standish é um jovem cheio de sonhos e heroísmo, que vive, aparentemente, na Alemanha Oriental, durante a Guerra Fria, com seu avô, em uma região destruída pelos reflexos da guerra. A Guerra Fria é um período da história que ficou marcado pela visível divisão do mundo entre capitalistas/ocidente/Estados Unidos e comunistas/oriente/União Soviética, logo após o término da 2ª Guerra Mundial. Esse período também ficou conhecido pela disputa econômica, tecnológica, social e armamentista entre as duas super potências.

Após o desaparecimento dos pais (o que era muito comum na época), Standish e o avô se veem sozinhos e obrigados a cuidar um do outro, até o dia em que a vizinhança recebe novos moradores e a cumplicidade entre o grupo se amplia.

Hector, o novo vizinho, se torna o melhor amigo de Standish e juntos desenvolvem um estilo diferente de sobrevivência, baseado na mais pura imaginação, mas acabam se deparando com um projeto secreto do governo (a viagem do homem à lua), o que os coloca em uma situação de sério perigo.

Mas você deve estar se perguntando "ok, mas o que tem a história de tão especial?" e eu afirmo: o grande charme da história está em trazer os bastidores da Guerra Fria através da visão inocente e criativa de uma criança, o que ameniza os efeitos da guerra e transfere ao leitor um delicado sentimento de esperança.

Lua de Larvas se tornou um dos meus livros favoritos, não só pela história, mas por toda a anergia e bons sentimentos que transmite, bem como diante do perfeito equilíbrio entre a mais dura realidade e a mais inocente perspectiva, fatos que tornam a leitura extremamente irresistível.

Resenha | Maze Runner: Correr ou Morrer, de James Dashner

Conheci Maze Runner através do canal Geek Freak justamente na época em que o primeiro trailer foi divulgado e de imediato fiquei tipo 'OMG! Preciso ler isso! Preciso saber se o menino vai ser esmagado pelo labirinto!'. Então comprei o box com os livros :D

Devo admitir que li o primeiro livro em 3 dias. Isso mesmo. TRÊS DIAS. Que livro! 

A história começa bem como o trailer mostra, Thomas acordando dentro de uma caixa e se deparando com um grupo de meninos. Logo Thomas descobre alguns dos mistérios do local e passa a entender um pouco mais sobre a organização da pequena sociedade, fato que o incentiva a querer ser um corredor.

Corredor é aquela pessoa que passa o dia correndo. Brincadeira. Na história os corredores são os jovens mais velozes e inteligentes, são responsáveis por percorrer o labirinto e mapeá-lo, sempre tentando encontrar uma saída ou um padrão, uma vez que as paredes do labirinto mudam de lugar todas as noites.

Nesse meio tempo acontecem várias tretas, Thomas quebra regras consideradas inquebráveis, algumas pessoas são picadas  por uns bichos meio steampunks, outras somem, uma garota aparece, etc. e tudo isso em um curto espaço de tempo. A história segue uma linha constante de acontecimentos cheios de ação. É praticamente impossível parar de ler!

Sobre os meninos, é importante mencionar que achei o grupo muito semelhante àquele do livro O Senhor das Moscas, onde temos jovens em um lugar isolado, sem adultos por perto e que tentam viver em comunidade. A diferença está que no livro de Golding os meninos não obtém êxito (isso não é um spoiler) na reestruturação da sociedade, enquanto que em Maze Runner a sociedade é bastante organizada e evoluída.

Um ponto negativo na história, pelo meu ponto de vista, é que os meninos criam palavras novas para aquelas de "baixo calão". Achei a atitude infantil e desnecessária, vez que, geralmente, tal comportamento é realizado para evitar repreensão de adultos (minha opinião) e, uma vez que na história não temos a presença de adultos, simplesmente não há motivos para a substituição de palavras. Mais uma vez, minha opinião.

Mas de forma resumida posso dizer que adorei o livro e não vejo a hora ler os próximos (aliás, não sei como ainda não li!), o desfecho é magnífico e inesperado, temos algumas cenas emocionantes e outras de tirar o fôlego, em fim, o livro é um equilíbrio interessante de misturas que agradam vários públicos e extremamente compatível com versões cinematográficas.

Você pode adquirir o livro clicando na imagem abaixo.