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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Resenha | Mary Poppins, de P.L. Travers

Mary Poppins é uma das histórias infantis (e adulta, por que não?) mais cativantes de todos os tempos! Sem sombra de dúvidas, todos em algum momento já se depararam com o livro ou com o filme (aquele clássico da Disney) ou até mesmo como musical, certo? Não? Então para tudo! Vamos resolver essa situação!

P. L. Travers, embora tenha nascido na Austrália, viveu a maior parte de sua vida na Inglaterra , onde lançou diversos livros infantis, dentre eles, mais de um título da série Mary Poppins (como A Volta de Mary Poppins e Mary Poppins and the House Next Door, sendo este o último lançado). P. L. Travers morreu em Londres, em 1996, aos 96 anos.

O primeiro livro, que é também o mais conhecido da série Mary Poppins, foi lançado em 1934 e recentemente publicado em uma nova edição pela editora Cosac Naify (tem postagem com detalhes da edição), conta a história de uma babá perfeita que decide levar um pouco de magia para uma família tipicamente londrina dos anos 20/30.

Mary Poppins então passa a cuidar de Jane, Michael, John e Barbara, os quatro filhos do casal Banks, levando-os para conhecer incríveis mundos e criaturas mágicas, mas claro, tudo com a intenção de educá-los.

No filme produzido por Walt Disney em 1964, a história do livro se repete e ainda vem acompanhada de uma fantástica trilha sonora (o filme está na lista dos 25 maiores musicais de todos os tempos!). No elenco temos Julie Andrews e Dick Van Dyke como principais responsáveis por trilhar a história e cantar as belíssimas canções.

Apenas a título de curiosidade, segue a lista das músicas do filme:

  • Overture / Chim-Chim-Chree
  • Sister Sufragette (interpretada por Glynis Johns)
  • The Life I Lead (interpretada por David Tomlinson)
  • The Perfect Nanny (interpretada por Karen Dotrice e Matthew Garber)
  • A Spoonful of Sugar (interpretada por Julie Andrews)
  • Pavement Artist (interpretada por Dick van Dyke)
  • Jolly Holliday (interpretada por Dick van Dyke)
  • Supercalifragilisticexpialidocious (interpretada por Julie Andrews e Dick van Dyke)
  • Stay Awake (interpretada por Julie Andrews)
  • I Love to Laugh (interpretada por Ed Wynn, Julie Andrews e Dick van Dyke)
  • A British Bank (interpretada por David Tomlinson e Julie Andrews)
  • Feed the Birds (interpretada por Julie Andrews)
  • Fidelity Fiduciary Bank (interpretada por Dick van Dyke e David Tomlinson)
  • Chim Chim Ch-ree (interpretada por Dick van Dyke e Julie Andrews)
  • Step in Time (interpretada por Dick van Dyke)
  • A Man Has Dreams (interpretada por David Tomlinson e Dick van Dyke)
  • Let's Go Fly a Kite (interpretada por David Tomlinson, Glynis Johns, Karen Dotrice, Matthew Garber e Dick van Dyke)

A história de Travers ainda foi levada para os palcos com o musical Mary Poppins em 2004 e desde então segue em cartaz em diversos países. Aqui cabe uma ressalva, a T4F (Time For Fun), uma empresa de entretenimento ao vivo, abriu audições em abril para atores que desejam participar da versão brasileira do musical. Vamos torcer para que em breve tenhamos novidades!

Voltando ao livro, a história trazida por P. L. Travers é simples e, ao mesmo tempo, sensível, de modo que se adequa facilmente a todas as idades, gerações e famílias. Um história que é possível reler sem cansar e impossível de não contar aos filhos e netos. Uma verdadeira preciosidade da literatura que indico sempre que possível.

Resenha | Os Goonies, de James Kahn



Os Goonies acompanharam muito marmanjo por aí durante a infância e aposto que continuam a acompanhar, afinal, quem resiste a uma boa história de aventura e caça ao tesouro?

A história original, apresentada no filme de Steven Spielberg, conta a aventura de Mickey, Brand, Bocão, Dado e Gordo, um grupo de amigos que vive em um pequeno bairro onde os moradores estão prestes a ser despejados (a menos que tenham dinheiro suficiente para "readquirir os imóveis"). Os meninos, na véspera do despejo, encontram um mapa do tesouro, que supostamente foi escondido por Willy Caolho, e Mickey decide sair em busca da fortuna.

No entanto, o que as crianças não esperavam é que entre eles e o tesouro existisse uma família mafiosa. procurada pelo FBI por diversos crimes! E a partir daí, decidem tomar doses extras de coragem para seguir até o objetivo e salvar a comunidade do despejo. Mas será que conseguem? Como passam pela família? Será que algum grande herói salvará as crianças? Bom, só lendo o livro ou assistindo ao filme para saber.


Falando em filme, a versão cinematográfica, que foi lançada antes do livro (sim, o livro foi baseado no filme), foi lançada em 1985 e tem em seu elenco Sean Astin (trilogia O Senhor dos Anéis), Josh Brolin (Guardiões da Galáxia), Jeff Cohen, Corey Feldman (Sem Licença Para Dirigir), Ke Huy Quan (Indiana Jones e O Templo da Perdição) e John Matuszak.


Voltando ao livro, a história é bastante cativante, do tipo que reúne a família, e cheia de momentos emocionantes, aliás, a aventura é cheia de surpresas e mistérios. A publicação da história aqui no Brasil ficou sob responsabilidade da Darkside Books, que primeiramente lançou uma edição especial numerada e, após o sucesso, disponibilizou outras duas versões, uma simples e outra especial (sem numeração e com mapa).



Os diálogos e acontecimentos são extremamente fiéis ao filme a ponto de ser assustador! É  quase como "ler o filme", o que me fez adorar a experiência de ler um livro pós versão cinematográfica. E além de todos estes pontos positivos, a história super gostosa, com cheiro de infância e que, com certeza, lerei para os meus filhos. 

Resenha | Saga Encantadas: Veneno, Feitiço e Poder, de Sarah Pinborough


De uns tempos para cá, a moda é adaptar os clássicos contos infantis e/ou readaptar histórias, como as da Disney, muito devido à série de televisão Once Upon a Time (acredito) que conseguiu fazer um mix cativante dessas histórias.

Seguindo esse embalo, além de assistir à série assiduamente (e ser uma evil regal), comecei a observar as reações da literatura em relação a essa nova tendência e descobri alguns livros: Fairest of All: A Tale of The Wicked Queen (já tem resenha aqui no blog), o Livro dos Vilões, O Livro das Princesas e a Saga Encantadas: Veneno, Feitiço e Poder (que é o tema desta postagem).

Veneno possui como subtítulo “repense os seus vilões”, confesso que foi essa frase que me fez comprar os livros, e tem como tema principal a história da Branca de Neve. Diferentemente de Fairest Of All, na história de Veneno, a relação entre Branca de Neve e a Rainha é desde sempre conturbada, talvez em razão da idade aproximada das duas e o comportamento selvagem da Princesa. 

De forma resumida, pode-se dizer que Veneno segue a história original: o Rei morre, a Rainha manda o caçador matar Branca de Neve, a Princesa foge e passa a morar com os anões, a madrasta descobre e faz Branca de Neve comer a maçã envenenada e, por fim, a Princesa amaldiçoada é despertada pelo Príncipe encantado. No entanto, o diferencial do livro está nas “entrelinhas”, fazendo questão de deixar bem claro que nada é o que parece.

O primeiro livro termina de uma forma que é impossível não começar a ler o seguinte imediatamente. Assim, o segundo livro, Feitiço, que se tornou meu favorito, tem por tema a história da Cinderela e, assim como o primeiro, segue a trama original: Cinderela mora com a madrastas, duas irmãs e o pai (ok, o pai não está presente na história original, mas vamos dar um crédito) e vive sonhando com o dia em que conhecerá o Príncipe. Um dia, a mãe e as irmãs são convidadas para um baile no castelo, onde o herdeiro do trono escolherá sua futura esposa. Cinderela, ao não ser convidada, fica muito triste e acaba recebendo a visita de sua fada madrinha, que a ajuda a ir ao baile. Chegando na festa, a menina, usando sapatinhos encantados, chama a atenção do príncipe, que a escolhe como futura esposa e bla bla bla. Cinderela, como orientado pela madrinha, sai do baile a meia noite, apressada, e acaba esquecendo um de seus sapatinhos. O príncipe vai atrás da dona do sapatinho, encontra Cinderela e vivem felizes para sempre (só que não). Mais uma vez, o livro faz questão de mostrar de forma gritante que nem tudo é o que parece ser.

O último livro, e o que menos gostei, Poder, conta a história de a Bela Adormecida, embora também faça referências à história de Rumplestinski (minha favorita de todos os tempos) e de A Bela e A Fera. Esta história se passa em um tempo anterior ao primeiro livro e mostra o Príncipe encantado em sua primeira grande aventura: conquistar os tesouros perdidos na cidade que ficou esquecida ao ser envolta em uma muralha de espinhos. 

Por óbvio sabemos que por trás da muralha está a Bela Adormecida.

Este livro é o que menos segue a história original e mistura várias outras. No entanto, vou evitar falar muito sobre este livro pois o seu simples enredo já um spoiler bombástico sobre os livros anteriores.

Posso dizer que gostei bastante da saga (trilogia?), pois é sempre interessante ver vários personagens que fizeram parte da infância seguindo rumos diferentes ou nos mostrando realidades alternativas. Mas o mais legal de tudo é que a Autora conseguiu amarrar as histórias dos três livros como se fossem uma só. Mágico!

No entanto, os três livros me deixaram traumatizada por toda a eternidade ao abordarem um cunho erótico em muitas partes. Sério, não é fácil saber o que rolou na lua de mel da Branca de Neve ou descobrir que a Rainha Má teve um caso com o caçador. 

Mas, por fim, posso dizer que a saga conseguiu me cativar, mesmo me traumatizando, e certamente entrou para a minha lista de adaptações/releituras favoritas.

Resenha | Trilogia Fronteiras do Universo, de Philip Pullman


A trilogia escrita por Philip Pullman teve apenas uma fracassada adaptação para os cinemas, mas que em nada modificou a qualidade incrível da história criada.

O primeiro livro, A Bússola de Ouro, foi adaptado para os cinemas em 2007 e teve em seu elenco, nada mais nada menos do que Nicole Kidman, Daniel Craig e Eva Green. 

A história gira em torno de Lyra, uma jovem que cresce na Universidade Jordan, em Oxford, recebendo os ensinamentos de diversos catedráticos, e que possui um dimon, assim como todas as pessoas do mundo (daquele mundo). Dimons são seres, que possuem a forma de um animal e que materializam a consciência dos humanos.

Lyra é uma menina de personalidade forte e que adora encarar aventuras e um dia, recebe de presente um instrumento curioso, um aletiômetro. O aletiômetro é um equipamento peculiar, que lembra uma bússola, movido à Pó (isso mesmo, pó, mas explico depois) e que sempre diz a verdade, quando indagado.

Assim, ao lado de Pantalaimon (seu dimon), o aletiômetro, seu amigo Roger e seu dimon, enfrentam diversas aventuras: conhecem os gypcios, feiticeiras, ursos de armadura e uma série de outras criaturas mágicas.

De forma resumida e a fim de evitar spoilers, Lorde Asriel, pai de Lyra e um importante personagem da trama, acaba criando um portal mágico, mas que apenas descobriremos para onde abrirá suas portas no livro seguinte.

No segundo livro, A Faca Sutil, começamos a história conhecendo o personagem Will, que se vê obrigado a "abandonar" a mãe para descobrir um pouco mais a respeito do pai, que nunca conheceu. O que Will não esperava era que o destino se encarregaria de traçar seu caminho.

Will conhece Lyra, que, ao atravessar o portal criado pelo pai, vai parar na cidade de Citagazze, uma cidade habitada apenas por crianças, devido a presença de espectros. Espectros são "fantasmas" que se alimentam da consciência dos adultos. Nessa cidade, Lyra e Will descobrem a Faca Sutil, uma arma capaz de abrir portas entre os universos.

Já no último livro da trilogia, a Luneta Âmbar, teremos todas as pontas soltas dos livros anteriores amarradas e, diga-se de passagem, de forma genial. Neste último livro, entenderemos o porquê de Lorde Asriel ter aberto portais para outros mundos e porquê Lyra e Will são tão importantes para o futuro da humanidade.  Por fim, o livro, dentre os três, é o que possui o maior número de informações, aventuras e personagens. É um grande mix.

O que mais me chamou atenção é que a trilogia é, a primeira vista, direcionada à crianças, porém possui diversos aspectos extremamente profundos. Adorei o fato de o livro abordar de forma simples diversas teorias da física e conceitos da filosofia, como a teoria dos universos paralelos, a teoria da partícula da consciência, inversão geomagnética, entre outras. Sem perceber acabamos absorvendo uma rica quantidade de conhecimento que, talvez, na época da escola teríamos repudiado por achar completamente chato.

Por fim, esta trilogia é uma das melhores que já li, embora tenha achado que o Autor dividiu mal as histórias ao deixar o segundo livro bem sucinto em relação aos outros dois, mas nada que atrapalhe o enredo. Então, super recomendo esta aventura e já aviso, a história deixará saudades.

Resenha | Fairest Of All: A Tale of The Wicked Queen, de Serena Valentino

Fairest Of All: A Tale of The Wicked Queen não possui ainda versão em português e conta a história da Branca de Neve através da visão da Rainha Má.

A história começa mostrando como a futura Rainha, que era humilde e trabalhadora, conheceu o Rei e como de imediato se apaixonam e casam. A Rainha, então, passa a morar no castelo e a valorizar muito a relação com Branca de Neve, pois entende muito bem o que a pequena princesa sente em relação à ausência materna, pois também perdera a mãe muito cedo.

Importante referir, que o Rei, sabendo que o pai da Rainha era um talentoso artesão de espelhos, deu a ela como presente de casamento um lindo espelho. Porém, logo que recebeu, notou que algo havia de errado com o presente, mas para não ser indelicada, aceitou de bom agrado.

Com o passar dos anos, a Princesa e a Rainha construíram uma relação extremamente forte, principalmente em razão da ausência do Rei, durante os períodos de guerra.

Durante um dos períodos em que ficam sozinhas, a Princesa e a Rainha receberam a visita de três primas distantes do Rei, que, tão logo chegaram, despertaram medo e angústia na pequena sucessora real. A Rainha, dominada pelo instinto materno, tentou proteger a filha de todas as formas, inclusive ao expulsar as três mulheres da sua propriedade.

Algum depois, o Rei perde a vida em batalha e em seu velório, a pequena família recebe novamente a visita das três irmãs. A Rainha atordoada começa a ouvir os conselhos das experientes primas e descobre que o seu presente de casamento era mágico e que nele habitava o espírito de seu pai, que, quando indagado, sempre dizia a verdade.

Assim, a Rainha, que entrou em uma profunda depressão, passou a depender emocionalmente das coisas que o espelho lhe dizia sobre sua beleza, sobretudo porque o pai quando em vida, se recusava a lhe proferir qualquer tipo de elogio. E nesse momento, começa a nascer o que conhecemos sobre a Rainha Má.

A história aborda muito o lado emocional da personagem e a sua necessidade de auto afirmação em razão da insegurança causada pelo repúdio do pai e como processou de forma negativa e exagerada a absorção dos bons sentimentos que sempre sonhou em possuir.

Portanto, ao conhecer a versão, descobrimos um lado mais humano da vilã e entendemos a origem da necessidade de eliminar a Branca de Neve e todas as consequências emocionais que esse episódio lhe causou. Por óbvio, esta história é uma adaptação daquela que conhecemos e procura trazer respostas e proporcionar uma defesa eficiente aos atos maléficos e desonrosos da Rainha.

Resenha | Bruxos e Bruxas, de James Patterson


Quando descobri que existia um livro contemporâneo com o tema de bruxaria e que, aparentemente, em nada fazia referência à história de Harry Potter, fiquei super empolgada, afinal, somos a geração que cresceu lendo livros fantasiosos e cheios de criaturas mágicas e já estamos cansados de novas aventuras que tentam substituir nossos queridinhos de Hogwarts. Certo?

James Patterson e Gabrielle Charbonnet foram os responsáveis por trazer às páginas a história de dois irmãos, With e Wisty, que são capturados no meio da madrugada, por um exército peculiar, e levados para uma prisão. Em meio ao susto, descobrem que são bruxos e que a Nova Ordem (organização que comanda o mundo) está providenciando a morte de todos os bruxos e bruxas do mundo a mando do Único Que É O Único (sim, esse é o "nome" do vilão).

Durante a estadia na prisão, os irmãos descobrem que não são bruxos comuns, possuem dons especiais e extremamente poderosos, além do fato de fazerem parte de uma profecia. Oi? Familiar? Então, aqui começam os problemas... Lembram que eu disse que tinha ficado empolgada com um livro sobre bruxos e que não fazia referências à Harry Potter? Nesse exato momento, minhas expectativas foram por água abaixo.

Mas continuando, With e Wisty, dois poderoso bruxos que tentam sobreviver às perseguições de Você Sabe Quem, digo, do Único Que É O Único, enquanto tentam encontrar seus pais, aparentemente desaparecidos, nestes primeiro livro, passam a conhecer um pouco mais de seus dons e das criaturas mágicas, portanto cumpre seu papel introdutório. Confesso que comprei os três livros seguintes (O Dom, O Fogo e O Beijo), mas ainda não tive coragem de continuar, sobretudo por ter achado a história muito infantil, mas logo logo serão devorados e poderei compartilhar com vocês o desenrolar (ou "enrolar") da história.

Achei a história razoável, de fato possui diversas cenas de ação e uma leitura muito fácil, mas não indico para o público adulto ou jovem adulto, pois o enredo apresenta uma postura mais infantilizada, não sendo possível fazer paralelos ou comparações à situações cotidianas a fim de obter algum aprendizado, mas para outros públicos, o livro cumpre sua proposta e diverte.

Por fim, devo admitir, a 1ª edição do livro lançada pela Novo Conceito é fantástica! A capa é emborrachada e a arte é envernizada. Só por estes detalhes, é válido ter o livro na coleção. A editora está de parabéns!