sexta-feira, 25 de setembro de 2015
O Tempo e O Vento | Lendas
NEGRINHO DO PASTOREIO
A lenda do Negrinho do Pastoreio é uma lenda meio cristã e meio africana. . É uma lenda muito popular no sul do Brasil e sua origem é do fim do Século XIX, no Rio Grande do Sul. Foi muito contada no final do século passado pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. É uma lenda reconhecidamente do Rio Grande do Sul, e alguns folcloristas afirmam que a região tem uma única lenda sua, criada ao jeito local.
Conta a lenda que nos tempos da escravidão, havia um estancieiro malvado com negros e peões. Em um dia de inverno, fazia muito frio e o fazendeiro mandou que um menino negro de quatorze anos fosse pastorear cavalos e potros que acabara de comprar. No final do tarde, quando o menino voltou, o estancieiro disse que faltava um cavalo baio. Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando. Disse o estancieiro: "Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece". Aflito, o menino foi à procura do animal. Em pouco tempo, achou o cavalo pastando. Laçou-o, mas a corda se partiu e o cavalo fugiu de novo.
De volta à estância, o estancieiro, ainda mais irritado, bateu novamente no menino e o amarrou nu, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ele foi ver o estado de sua vítima, tomou um susto. O menino estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos. O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha. A partir disso, entre os andarilhos, tropeiros, mascates e carreteiros da região, todos davam a notícia, de ter visto passar, como levada em pastoreio, uma tropilha de tordilhos, tocada por um Negrinho, montado em um cavalo baio. Desde então, quando qualquer cristão perdia uma coisa, fosse qualquer coisa, pela noite o Negrinho procurava e achava, mas só entregava a quem acendesse uma vela, cuja luz ele levava para pagar a do altar de sua madrinha, a Virgem, Nossa Senhora, que o livrou do cativeiro e deu-lhe uma tropilha, que ele conduz e pastoreia, sem ninguém ver.
Quem perder coisas no campo, deve acender uma vela junto de algum mourão ou sob os ramos das árvores, para o Negrinho do pastoreio e vá lhe dizendo: "Foi por aí que eu perdi... Foi por aí que eu perdi... Foi por aí que eu perdi...". Se ele não achar, ninguém mais acha.
SALAMANCA DO JARAU
No tempo dos padres jesuítas, existia um moço sacristão no Povo de Santo Tomé, na Argentina, do outro lado do rio Uruguai. Ele morava numa cela de pedra nos fundos da própria igreja, na praça principal da aldeia.
Ora, num verão mui forte, com um sol de rachar, ele não conseguiu dormir a sesta. Vai então, levantou-se, assoleado e foi até a beira da lagoa refrescar-se. Levava consigo uma guampa, que usava como copo.
Coisa estranha: a lagoa toda fervia e largava um vapor sufocante e qual não é a surpresa do sacristão ao ver sair d'água a própria Teiniaguá, na forma de uma lagartixa com a cabeça de fogo, colorada como um carbúnculo. Ele, homem religioso, sabia que a Teiniaguá - os padres diziam isso!- tinha partes com o Diabo Vermelho, o Anhangá-Pitã, que tentava os homens e arrastava todos para o inferno. Mas sabia também que a Teiniaguá era mulher, uma princesa moura encantada jamais tocada por homem.
Aquele pelo qual se apaixonasse seria feliz para sempre.
Assim, num gesto rápido, aprisionou a Teiniagá na guampa e voltou correndo para a igreja, sem se importar com o calor. Passou o dia inteiro metido na cela, inquieto, louco que chegasse a noite.
Quando as sombras finalmente desceram sobre a aldeia, ele não se sofreu: destampou a guampa para ver a Teiniaguá. Aí, o milagre: a Teiniaguá se transformou na princesa moura, que sorriu para ele e pediu vinho, com os lábios vermelhos. Ora, vinho só o da Santa Missa. Louco de amor, ele não pensou duas vezes: roubou o vinho sagrado e assim, bebendo e amando, eles passaram a noite.
No outro dia, o sacristão não prestava para nada. Mas, quando chegou a noite, tudo se repetiu. E assim foi até que os padres finalmente desconfiaram e numa madrugada invadiram a cela do sacristão. A princesa moura transformou-se em Teiniaguá e fugiu para as barrancas do rio Uruguai, mas o moço, embriagado pelo vinho e de amor foi preso e acorrentado.
Como o crime era horrível - contra Deus e a Igreja! - foi condenado a morrer no garrote vil, na praça, diante da igreja que ele tinha profanado.
No dia da execução, todo o Povo se reuniu diante da igreja de São Tomé. Então, lá das barrancas do rio Uruguai a Teiniaguá sentiu que seu amado corria perigo. Aí, com todo o poder de sua magia, começou a procurar o sacristão abrindo rombos na terra, um valos enormes, rasgando tudo. Por um desses valos ela finalmente chegou à igreja bem na hora em que o carrasco ia garrotear o sacristão. O que se viu foi um estouro muito grande, nessa hora, parecia que o mundo inteiro vinha abaixo, houve fogo, fumaça e enxofre e tudo afundou e tudo desapareceu de vista. E quando as coisas clarearam a Teiniaguá tinha libertado o sacristão e voltado com ele para as barrancas do rio Uruguai.
Vai daí, atravessou o rio para o lado de cá e ficou uns três dias em São Francisco de Borja, procurando um lugar afastado onde os dois apaixonados pudessem viver em paz. Assim, foram parar no Cerro do Jarau, no Quaraim, onde descobriram uma caverna muito funda e comprida. E lá foram morar, os dois.
Essa caverna, no alto do Cerro, ficou encantada. Virou Salamanca, que quer dizer "gruta mágica", a Salamanca do Jarau. Quem tivesse coragem de entrar lá, passasse 7 Provas e conseguisse sair, ficava com o corpo fechado e com sorte no amor e no dinheiro para o resto da vida.
Na Salamanca do Jarau a Teiniaguá e o sacristão se tornaram os pais dos primeiros gaúchos do Rio Grande do Sul. Ah, ali vive também a Mãe do Ouro, na forma de uma enorme bola de fogo. Às vezes, nas tardes ameaçando chuva, dá um grande estouro numa das cabeças do Cerro e pula uma elevação para outra. Muita gente viu.
SEPÉ TIARAJU
Muito do que se sabe sobre Sepé Tiaraju veio de índios centenários do Sul do país, que preservam sua história de maneira oral, passando-a de geração para geração. Sepé Tiaraju nasceu em uma aldeia indígena que foi atacada por forças portuguesas ou espanholas quando ele tinha dois anos de idade, o que o deixou órfão. Os índios guaranis descobriram o menino no local e o levaram para uma aldeia perto dos Sete Povos das Missões, onde Sepé foi adotado por um casal. Segundo o pesquisador indígena Leonardo Werá Tupã, não é possível precisar a tribo de Sepé. Apesar de ter se tornado líder dos guaranis, Sepé era de outra etnia: "Ele foi adotado pelos guaranis e criado como um dos nossos".
Seu avô adotivo era um pajé muito poderoso e adorado. Quando Sepé começou a crescer, foi preparado para ser um pajé. Mas acabou se tornando um guerreiro, devido à sensação de revolta que tinha com os homens brancos por terem dizimado sua aldeia. Sepé não foi criado pelos jesuítas, mas frequentava as missões, onde aprendeu a falar espanhol. Segundo Werá Tupã, Sepé foi treinado pelo grande exército guarani, os "kereymba". Outras fontes indicam que ele havia sido alferes do exército espanhol.
Sapé era habituado ao convívio com os homens brancos, ao contrário dos demais guerreiros guaranis. Prezava pelo convívio pacífico entre índios e brancos, uma vez que se preocupava com a jornada espiritual na qual seu avô deveria embarcar. Werá Tupã duvida que Sepé tenha se convertido ao cristianismo, uma vez que era comum os índios aceitarem ser batizados para não desagradarem aos missionários jesuítas. Ainda hoje os guaranis utilizam essa estratégia com missionários cristãos.
GUERRA GUARANÍTICA: Os guaranis conseguiram muitas vitórias, mas no final de 1775 começaram a sofrer duas derrotas. Em 7 de fevereiro de 1756, após uma série de derrotas, cerca de 1.500 guaranis foram dizimados na batalha de Caiboaté, na entrada da cidade de São Gabriel. Sepé Tiaraju morreu no combate, provavelmente numa emboscada. A partir desse momento, história e lenda se confundem. Como o corpo do bravo guerreiro não foi encontrado no campo de batalha, espalhou-se a crença de que ele subira aos céus. Surgiu, assim, a veneração a São Sepé, um santo não reconhecido pela Igreja Católica.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Leituras Obrigatórias | Autopsicografia, de Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Leituras Obrigatórias | UFRGS 2013
06:57
LEITURAS OBRIGATÓRIAS, UFRGS 2016
FERNANDO PESSOA
Coletânea:
1. Autopsicografia;
2. Isto;
3. Pobre velha música;
4. Qualquer música;
5. Natal...Na província neva;
6. Ela canta, pobre ceifeira;
7 Não sei se é sonho, se realidade;
8. Não sei quantas almas tenho;
9.Viajar! Perder países!;
10. Liberdade;
11. Lá fora vai um redemoinho de sol os cavalos do carrossel... ( poema V de Chuva Oblíqua);
12. O maestro sacode a batuta ( poema VI de Chuva Oblíqua);
13. Padrão (Mensagem);
14. Noite (Mensagem);
15. O infante ( Mensagem);
16. Mar português ( Mensagem);
17. Nevoeiro(Mensagem).
ALUÍSIO AZEVEDO
O Cortiço;
MACHADO DE ASSIS
Dom Casmurro;
Pe. ANTÔNIO VIEIRA
Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as de Holanda;
Sermão da Sexagésima;
Sermão de Santo António aos Peixes.
CAETANO VELOSO, GILBERTO GIL, MUTANTES E OUTROS
Tropicalia ou panis et circensis (álbum/disco);
LÍDIA JORGE
A noite das mulheres cantoras;
TABAJARA RUAS
O amor de Pedro por João;
SERGIO FARACO
Dançar tango em Porto Alegre. Lista de contos do livro:
Dois guaxos;
Travessia;
Noite de matar um homem;
Guapear com frangos;
O vôo da garça-pequena;
Sesmarias do urutau mugidor;
A língua do cão chinês;
Idolatria;
Outro brinde para Alice;
Guerras Greco-Pérsicas;
Majestic Hotel;
Não chore, papai;
Café Paris;
A dama do bar Nevada;
Um aceno na garoa;
No tempo do trio Los Panchos;
Conto do inverno;
Dançar tango em Porto Alegre.
JORGE AMADO
Terras do Sem Fim;
NELSON RODRIGUES
Boca de Ouro;
MURILO RUBIÃO
Contos:
O pirotécnico Zacarias;
O ex-mágico da Taberna Minhota;
Bárbara;
A cidade;
Ofélia, meu cachimbo e o mar;
A flor de vidro;
Os dragões;
Teleco, o coelhinho;
O edifício;
O lodo;
O homem do boné cinzento;
O convidado;
LYA LUFT
As Parceiras;
Coletânea:
1. Autopsicografia;
2. Isto;
3. Pobre velha música;
4. Qualquer música;
5. Natal...Na província neva;
6. Ela canta, pobre ceifeira;
7 Não sei se é sonho, se realidade;
8. Não sei quantas almas tenho;
9.Viajar! Perder países!;
10. Liberdade;
11. Lá fora vai um redemoinho de sol os cavalos do carrossel... ( poema V de Chuva Oblíqua);
12. O maestro sacode a batuta ( poema VI de Chuva Oblíqua);
13. Padrão (Mensagem);
14. Noite (Mensagem);
15. O infante ( Mensagem);
16. Mar português ( Mensagem);
17. Nevoeiro(Mensagem).
ALUÍSIO AZEVEDO
O Cortiço;
MACHADO DE ASSIS
Dom Casmurro;
Pe. ANTÔNIO VIEIRA
Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as de Holanda;
Sermão da Sexagésima;
Sermão de Santo António aos Peixes.
CAETANO VELOSO, GILBERTO GIL, MUTANTES E OUTROS
Tropicalia ou panis et circensis (álbum/disco);
LÍDIA JORGE
A noite das mulheres cantoras;
TABAJARA RUAS
O amor de Pedro por João;
SERGIO FARACO
Dançar tango em Porto Alegre. Lista de contos do livro:
Dois guaxos;
Travessia;
Noite de matar um homem;
Guapear com frangos;
O vôo da garça-pequena;
Sesmarias do urutau mugidor;
A língua do cão chinês;
Idolatria;
Outro brinde para Alice;
Guerras Greco-Pérsicas;
Majestic Hotel;
Não chore, papai;
Café Paris;
A dama do bar Nevada;
Um aceno na garoa;
No tempo do trio Los Panchos;
Conto do inverno;
Dançar tango em Porto Alegre.
JORGE AMADO
Terras do Sem Fim;
NELSON RODRIGUES
Boca de Ouro;
MURILO RUBIÃO
Contos:
O pirotécnico Zacarias;
O ex-mágico da Taberna Minhota;
Bárbara;
A cidade;
Ofélia, meu cachimbo e o mar;
A flor de vidro;
Os dragões;
Teleco, o coelhinho;
O edifício;
O lodo;
O homem do boné cinzento;
O convidado;
LYA LUFT
As Parceiras;
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Resenha | 172 Horas Na Lua, de Johan Harstad
11:47
172 HORAS NA LUA, FICÇÃO, JOHAN HARSTAD, NOVO CONCEITO, RESENHA, SUSPENSE, TERROR
172 Horas Na Lua é um dos recentes lançamentos da Editora Novo Conceito, parceira do blog, e conta a história de três adolescentes que são sorteados dentre milhões para viajarem à lua, durante uma expedição oficial da NASA.
Quando li a sinopse do livro, prontamente lembrei de "Perdido em Marte", de Andy Weir, livro que já tem resenha aqui no blog, e também do filme Apollo 18 (não confunda com Apollo 13, filme com Tom Hanks e que eternizou a expressão "Houston, we have a problem"), então quando recebi o exemplar, não pensei duas vezes antes de iniciar a leitura imediatamente. Então, sem mais delongas, vamos para a resenha!
A história de "172 Horas na Lua" se passa no ano de 2018 e em comemoração às cinco décadas desde que o homem pisou na lua pela primeira vez (e devido a mais um motivo obscuro de conhecimento apenas dos top top da NASA), a NASA decide levar três adolescentes na sua nova expedição à Lua, que utilizará pela primeira vez a base lunar DARLAH-2, que até então era desconhecida do mundo inteiro.
Os três adolescentes escolhidos são de origens diversas, Mia é da Noruega, Midori do Japão e Antonie da França, e com personalidades ainda mais diferentes, porém com destinos entrelaçados.
Após a seleção, passam a receber um forte treinamento da NASA, ficam conhecidos no mundo inteiro e quando partem rumo à grande aventura de suas vidas, ao lado de profissionais qualificados, passam a ser o centro das atenções ao escreverem uma nova página na história mundial.
No entanto, chegando à lua, coisas estranhas começam a acontecer: portas se fecham sozinhas, o equipamento de energia é destruído por algo desconhecido, pessoas começam a agir de forma estranha e outras desaparecem, e quando percebemos tudo vira de pernas para o ar.
Mas o que teria causado tudo isso? A equipe pode ter esperança de voltar para a Terra? Qual o envolvimento da NASA? Qual a finalidade da DARLAH-2?
Bom, esses são questionamentos que são respondidos de forma muito rápida no livro, pois o autor economiza o suspense e despeja todas informações em curto espaço de tempo, ponto que achei negativo no livro. Outro ponto é que a construção das personagens é bastante fraca, principalmente os adolescentes, que são superficiais, embora protagonistas.
De outra mão, adorei a história de modo geral, principalmente sua vinculação com aspectos reais apresentados ao final do livro, que me causou um certo arrepio ao finalizar a história mas não evitou que eu desse apenas três estrelas na avaliação do livro no skoob.
Deixo aqui, por fim, o trailer do filme Apollo 18 (abaixo), para aqueles que ainda não o conhecem e minha recomendação de leitura de 172 Horas Na Lua para quem deseja conhecer uma história rápida e "de arrepiar", principalmente para uma maratona do horror em outubro.
Resenha | O Planeta dos Macacos, de Pierre Boulle
Quando vi que a Editora Aleph relançaria o clássico de Pierre Boulle, meu coraçãozinho quase parou, mas então vi a arte do livro e todas as minhas boas emoções foram por água abaixo (o que não me impediu de adquirir um exemplar).
Após comprar o livro e colocá-lo na estante, fiquei namorando sua lombada vermelha, que se destacava dentre tantas capas escuras, até decidir lê-lo.
E, CÉUS, COMO ME ARREPENDI DE TER DEMORADO TANTO PARA LER!
Aquela capa meio estranha, que lembra um moleskine, é na realidade um grande atrativo na hora da leitura, pois o livro possui um tamanho muito agradável e um peso excelente, o que não me cansou nenhum pouco. Além disso, ao longo da leitura, aquelas bordas arredondadas e a textura áspera da capa foram me cativando de um jeito que agora mal posso esperar para ler outro livro com o mesmo design (aloooou Aleph!).
Quanto à história, eu esperava encontrar um enredo praticamente igual ao do filme de 1968 e de fato encontrei, mas estou até agora tentando entender o porquê das pequenas modificações no enredo da adaptação, uma vez que não são relevantes para a história. Anyway, apenas a título ilustrativo, vou elencar algumas diferenças:
LIVRO
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FILME
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Três pessoas (um cientista, seu assistente e um jornalista) viajam para um planeta distante, chamado Soror, muito semelhante à Terra.
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Quatro pessoas (astronautas) viajam para um planeta distante, que descobrem mais tarde ser a Terra.
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Chegando a Soror, o grupo se depara com um grupo de seres humanos nus.
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No planeta desconhecido, o grupo também se depara com um grupo de humanos que utilizam como roupa peles de animais.
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O protagonista se chama Ulysse.
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O protagonista se chama Taylor.
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Quando Ulysse é capturado pelos macacos, imediatamente tenta se comunicar, mas como fala um idioma diferente, os símios não compreendem de imediato a sua inteligência.
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No filme, quando Taylor é capturado, é ferido na garganta, o que o impede de falar e, por consequência de demonstrar aos humanos a sua inteligência.
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Soror é um planeta extremamente bem evoluído, os símios possuem aviões, carros, televisão e outros tantos equipamentos modernos.
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Na adaptação, o planeta é pouco evoluído, quase primitivo.
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Nova, uma das nativas da raça humana, acaba engravidando de Ulysse.
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No filme, não há menção sobre gravidez de Nova.
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Voltando à história, um grupo composto por dois cientistas e um jornalista viaja para um planeta distante da Terra e lá chegando se depara com um grupo de humanos agindo selvagemente e um grupo de símios extremamente evoluído e civilizado. O enredo parece bastante simples e nada aterrorizante, principalmente se nos lembrarmos das caracterizações dos personagens da primeira adaptação cinematográfica (aquela que mencionei de 1968), mas quando nos damos conta da inversão de papéis e das práticas aplicadas aos humanos, o livro se torna um grande golpe baixo.
Pensem comigo: hoje, na Terra, em pleno século XXI, os testes em animais são normais. Os humanos, os grandes donos da verdade e as criaturas mais inteligentes do mundo (sic), adoram utilizar criaturas inferiores, desprovidas de vida inteligente (macacos, por exemplo), para comprovar suas teses científicas, e essa prática, por incrível que pareça, aos nossos olhos, é absolutamente normal e necessária. Esse pensamento, de forma geral, não nos aterroriza, certo?
Agora, tentem inverter a situação: Os símios, os grandes donos da verdade e as criaturas mais inteligentes do mundo, adoram utilizar criaturas inferiores, desprovidas de vida inteligente (humanos, por exemplo), para comprovar suas teses científicas, e essa prática, por incrível que pareça, aos seus olhos é absolutamente normal e necessária.
Vai dizer, é APAVORANTE, não?
E é exatamente essa a intenção do livro, abrir os olhos do leitor e realizar uma crítica à sociedade moderna de forma inteligente e sutil, utilizando como ponto fraco o maior orgulho da humanidade: sua inteligencia absoluta.
E isso tudo nos é apresentado diante de uma escrita bastante simples, com uma descrição clara dos eventos, o que diferencia o autor de muitos outros do mesmo gênero. De outra mão, a simplicidade da apresentação da história apenas aumenta o charme de seu conteúdo, porque facilita o acesso do leitor e torna a leitura extremamente rápida e prazerosa.
Então, deixo aqui minhas cinco estrelas e uma grande recomendação de leitura.
![]() |
| Planeta dos Macacos (1968) |
Agora, tentem inverter a situação: Os símios, os grandes donos da verdade e as criaturas mais inteligentes do mundo, adoram utilizar criaturas inferiores, desprovidas de vida inteligente (humanos, por exemplo), para comprovar suas teses científicas, e essa prática, por incrível que pareça, aos seus olhos é absolutamente normal e necessária.
Vai dizer, é APAVORANTE, não?
E é exatamente essa a intenção do livro, abrir os olhos do leitor e realizar uma crítica à sociedade moderna de forma inteligente e sutil, utilizando como ponto fraco o maior orgulho da humanidade: sua inteligencia absoluta.
E isso tudo nos é apresentado diante de uma escrita bastante simples, com uma descrição clara dos eventos, o que diferencia o autor de muitos outros do mesmo gênero. De outra mão, a simplicidade da apresentação da história apenas aumenta o charme de seu conteúdo, porque facilita o acesso do leitor e torna a leitura extremamente rápida e prazerosa.
Então, deixo aqui minhas cinco estrelas e uma grande recomendação de leitura.
Resenha | Fragmentados, de Neal Shusterman
11:44
DISTOPIA, FICÇÃO, FRAGMENTADOS, NEAL SHUSTERMAN, NOVO CONCEITO, RESENHA
Fragmentados - Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria .
Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.
O vencedor do Boston Globe-Horn Book Award, Neal Shusterman, desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo.
Fragmentados, um dos lançamentos da Editora Novo Conceito, é, também, uma distopia cheia de aventura. A história se passa em um período pós guerras (até metade do livro não sabemos exatamente as motivações da eclosão da guerra, tampouco os motivos que a encerraram), em que é normal crianças serem abandonadas na porta da casa de estranhos, que são obrigados a ficar com elas, assim como é normal crianças serem enviadas para fragmentação. O fenômeno da fragmentação é outro ponto que vamos descobrindo ao longo do livro, pois temos que, ironicamente, ir juntando as peças para compreender o seu conceito e entender o seu funcionamento.
Nesse mundo pós guerras, Connor, sem saber o motivo, é enviado pelos pais para a fragmentação. De outro lado, temos Risa, uma menina tutelada pela estado, que é enviada para fragmentação, porque o Governo quer cortar despesas. E, por último, temos Lev, um menino de uma família tradicional, que é enviado para a fragmentação como dízimo (como oferenda à Deus). Os três jovens, tem seus caminhos cruzados quando estão prestes a chegar ao Campo de Colheita (local onde se realiza a fragmentação) e no meio da situação, se veem fugindo do local.
A partir da fuga, as relações entre o trio começam a se estreitar até o momento em que se separam e depois se reencontram no Cemitério (antigo cemitério de aviões, que serve de abrigo para os fragmentários foragidos). E é aqui, meus amigos, que o "vuco vuco" fica sério.
Até boa parte do livro, o leitor não tem noção da complexidade e da monstruosidade que é a fragmentação e, como dito, temos que ir juntando as peças até conseguir visualizar o quadro completo. No entanto, em um dos capítulos finais, temos uma descrição parcial do procedimento, o que não é nada agradável.
O livro pode ser visto como uma interessante crítica social, ou pelo menos, uma crítica futura da sociedade, sobretudo no que diz respeito a supervalorização dos ideais pessoais em que relação a própria vida humana. A guerra que acontece no livro foi resultado do conflito entre aqueles que eram favoráveis ao aborto e aqueles que defendiam o movimento pró vida, sendo a guerra finalizada após o acordo que instituiu a fragmentação (procedimento que, a grosso modo, dá "um jeito" nos cidadãos indesejados pela sociedade, sem por fim às suas vidas). Assim, vemos que a necessidade da defesa dos ideais (pró aborto x pró vida) se sobressai em relação à consideração da dignidade da pessoa humana (o princípio mais defendido no mundo dos dias de hoje).
Assim, de forma geral, posso dizer que a leitura foi bastante agradável e corrida, pois sempre temos acontecimentos cheios de emoções e que ocorrem com algum propósito útil à narrativa, ou seja, os personagens vivem se ferrando, mas não à toa. De outra mão, a narrativa tem alguns alguns pontos falhos e, até certo ponto, de resolução infantil, o que não chega a ser um problema que afeta efetivamente a história. Por fim, digo que a história (que já está em fase de pré produção para os cinemas) teve um desfecho que induz a uma continuação, que espero, sinceramente, que ocorra.
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