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domingo, 3 de janeiro de 2016

Resenha | A Desconhecida, de Peter Swanson


A Desconhecida, escrito por Peter Swanson e publicado pela editora parceira Novo Conceito, promete apresentar uma história sombria com um quê de Hitchcock.

Antes de continuar, para aqueles que desconhecem, quando o livro diz "Hitchcock", ele se refere ao diretor cinematográfico Alfred Hitchcock, conhecido por ser o mestre o suspense e dirigir, entre outros, os clássicos filmes Psicose e Os Pássaros.

Feita essa ressalva, percebemos que a promessa feita é de grande responsabilidade, o que cria grandes expectativas.

Logo no prefácio, o Autor nos apresenta o protagonista, George Foss, que está a procura de algo que nem ele sabe o que é, deixado por uma pessoa ainda não apresentada na história, mas que presumimos ser a desconhecida a que o título se refere. Por óbvio, essa simples apresentação já é suficiente para começar a nos intrigar.

Quando a história de fato se inicia, somos apresentados a um George normal que leva uma vida chata (um adulto que trabalha com algo que não é exatamente o que gosta, mas que é suficiente, e cuja vida amorosa é confortável e descomprometida) mas motivada por sua obsessão em reencontrar uma antiga paixão da juventude, uma fugitiva da polícia.

Ainda logo no início, George sem querer (ou ao menos ele assim acha) encontra sua paixão em um dos bares que frequenta assiduamente, dando início, assim, a toda a trama proposta.

A história do início ao fim manipula o leitor de forma razoalvelmente eficaz, pois acompanhamos a história na perspectiva de um homem cegamente apaixonado e bastante influenciável, o que torna a trama um mistério ansioso por ser desvendado e consideravelmente traiçoeiro.

Nesse sentido, até certo ponto, a história de fato cumpre o prometido, ou seja, apresentar um mistério inspirado nas histórias contadas no cinema pelo mestre Hitchcock, contudo, a criação das conspirações e mistérios acaba se desenrolando de forma infantil e transmite a ideia de que a escrita do autor é imatura.

Assim, na minha concepção, a história que durante boa parte de seu transcurso apresentava grande potencial acabou se perdendo diante da aparente "falta de prática" da escrita do autor, o que influenciou negativamente na resolução da trama e consequentemente na desestruturação da lógica do suspense.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Resenha | 172 Horas Na Lua, de Johan Harstad

172 Horas Na Lua é um dos recentes lançamentos da Editora Novo Conceito, parceira do blog, e conta a história de três adolescentes que são sorteados dentre milhões para viajarem à lua, durante uma expedição oficial da NASA.

Quando li a sinopse do livro, prontamente lembrei de "Perdido em Marte", de Andy Weir, livro que já tem resenha aqui no blog, e também do filme Apollo 18 (não confunda com Apollo 13, filme com Tom Hanks e que eternizou a expressão "Houston, we have a problem"), então quando recebi o exemplar, não pensei duas vezes antes de iniciar a leitura imediatamente. Então, sem mais delongas, vamos para a resenha!

A história de "172 Horas na Lua" se passa no ano de 2018 e em comemoração às cinco décadas desde que o homem pisou na lua pela primeira vez (e devido a mais um motivo obscuro de conhecimento apenas dos top top da NASA), a NASA decide levar três adolescentes na sua nova expedição à Lua, que utilizará pela primeira vez a base lunar DARLAH-2, que até então era desconhecida do mundo inteiro.

Os três adolescentes escolhidos são de origens diversas, Mia é da Noruega, Midori do Japão e Antonie da França, e com personalidades ainda mais diferentes, porém com destinos entrelaçados. 

Após a seleção, passam a receber um forte treinamento da NASA, ficam conhecidos no mundo inteiro e quando partem rumo à grande aventura de suas vidas, ao lado de profissionais qualificados, passam a ser o centro das atenções ao escreverem uma nova página na história mundial.

No entanto, chegando à lua, coisas estranhas começam a acontecer: portas se fecham sozinhas, o equipamento de energia é destruído por algo desconhecido, pessoas começam a agir de forma estranha e outras desaparecem, e quando percebemos tudo vira de pernas para o ar.

Mas o que teria causado tudo isso? A equipe pode ter esperança de voltar para a Terra? Qual o envolvimento da NASA? Qual a finalidade da DARLAH-2?

Bom, esses são questionamentos que são respondidos de forma muito rápida no livro, pois o autor economiza o suspense e despeja todas informações em curto espaço de tempo, ponto que achei negativo no livro. Outro ponto é que a construção das personagens é bastante fraca, principalmente os adolescentes, que são superficiais, embora protagonistas.

De outra mão, adorei a história de modo geral, principalmente sua vinculação com aspectos reais apresentados ao final do livro, que me causou um certo arrepio ao finalizar a história mas não evitou que eu desse apenas três estrelas na avaliação do livro no skoob.

Deixo aqui, por fim, o trailer do filme Apollo 18 (abaixo), para aqueles que ainda não o conhecem e minha recomendação de leitura de 172 Horas Na Lua para quem deseja conhecer uma história rápida e "de arrepiar", principalmente para uma maratona do horror em outubro.

Resenha | Garota Exemplar, de Gillian Flynn

Chega a dar um friozinho na barriga ao escrever uma resenha sobre um livro que 99,9% das pessoas simplesmente AMARAM, mas vamos lá!

Gillian Flynn publicou seu primeiro livro em 2006 (objetos cortantes), atualmente distribuído, no Brasil, pela editora Intrínseca, e, apenas em 2012 publicou Garota Exemplar (Gone Girl, no título original), também distribuído em terras tupiniquins pela editora Intrínseca.

A história é contada através de registros passados em diários de Amy, e, nos dias "atuais", através da narrativa de Nick, assim, temos acesso a dois "pontos de vista" sobre os mesmos fatos que nem sempre são contados em ordem cronológica.

Logo nas primeiras páginas, conhecemos um pouco do casal no início do relacionamento, as aspirações, os gostos, as personalidades, profissões, etc. Detalhes importantes para que o leitor se sinta presente na história e para que os personagens pareçam alcançáveis, ou seja, para que tenham condições visíveis de ser qualquer um, até mesmo eu ou você, que está lendo esta resenha.

Em um determinado momento da história, o casal se vê obrigado a se mudar para uma pequena cidade no Missouri e a partir desse momento os problemas começam a aparecer, ainda que camuflados.

Um certo dia, Nick recebe uma ligação que informa que sua casa está escancarada e prontamente se desloca até o local, momento em que descobre que sua esposa está desaparecida e que o local apresenta indícios de briga. Nick liga para a polícia e seu pesadelo começa.

Enquanto acompanhamos a investigação da polícia e a busca de Nick pelo "tesouro escondido" (esqueci de mencionar, o casal sempre teve como tradição, no aniversário de casamento, uma caça ao tesouro, em que Amy espalhava por diversos locais pistas que levavam Nick até o presente e, coincidentemente, o desaparecimento ocorre no dia da comemoração), Amy, através de seu diário, vai nos contato o passado do casal e os "podres" da relação.



O mais interessante da história não está no enredo bobo e comum e sim, nos pequenos detalhes que, no final do livro, fazem todo o sentido e deixam o leitor DESMAIADO. Sério. Tudo faz sentido no final, pois a história se revela ser muito maior do que realmente é.

Eu simplesmente adorei a forma da escrita de Gillian, mal posso esperar para ler os próximos livros, e Garota Exemplar merece de fato todo o alvoroço que vem recebendo, aliás, melhor deixar claro, o livro merece todo o alvoroço, pois o filme... bom, isso será tema de outra postagem. Por fim, super recomendo a leitura e, por mais cansativo e sem sentido que em alguns momentos possa parecer, não desista da leitura, pois a história, assim como o crime, compensa (pelo menos é o que Nick e Amy acreditam, eu acho).

Resenha | Psicose, de Robert Bloch

Cresci assistindo aos clássicos do cinema que meu avô me indicava: Por Quem Os Sinos Dobram, A Um Passo da Eternidade, entre tantos outros. No entanto, o que mais me encantou e surpreendeu foi "Psicose", de Alfred Hitchcock.

A partir do momento em que conheci o filme, comecei a ler bastante sobre os bastidores e sobre o desenvolvimento da história, até que descobri que o filme era baseado em um livro, de mesmo nome, escrito por Robert Bloch. Enlouqueci! Precisava encontrar o livro! Então minha epopeia teve início.

Procurei enlouquecidamente nas livrarias e sebos durante anos e nunca encontrei! Estava prestes a desistir quando a Darkside Books decidiu republicar o título no Brasil! Viva!

A editora disponibilizou duas edições: uma de capa dura (foto acima) e uma mais simples, ambas com o mesmo conteúdo.

E assim meu sonho virou realidade.

Psicose, de Robert Bloch, deveria ser incluído no rol de livros indispensáveis, não apenas em razão de sua história criativamente bem construída, mas, sobretudo, devido a qualidade da escrita, que são requisitos essenciais para uma boa leitura.

A trama, aparentemente, acompanha o drama de Mary, uma jovem que acaba de roubar o dinheiro de seu chefe para poder construir sua vida ao lado do amado, enquanto foge da cidade e tenta se manter anônima.

Durante o percurso, Mary para em um pequeno hotel de beira de estrada, o Hotel Bates, onde decide passar a noite e acaba conhecendo um dos donos, Norman Bates.

Após alguns minutos de conversa com seu hospedeiro, a jovem decide ir para o quarto e descansar, porém, durante o banho, é surpreendida ao ser violentamente assassinada. E é aí que a história começa a ficar interessante.

A história de uma hora para outra tem uma reviravolta. A fuga de Mary, até então protagonista, se torna o menor dos problemas, e o ponto central passa a ser a descoberta da identidade do assassino e o que o levou a tomar uma medida tão extremada.

Assim passamos a pensar: seria o inofensivo Norman o assassino? Talvez sua mãe doente e irritadiça? Ou um dos hospedes do hotel? Ou, ainda, o chefe de Mary que descobriu seu paradeiro? Todas as hipóteses são possíveis e apenas Bloch pode nos guiar até o terrível desfecho.

Quanto a leitura, a narrativa é tão fantástica quanto o filme, mesmo apresentando algumas variações, e cumpre a ideia do autor de interligar os aspectos da história e as características do personagem com a história real de Ed Gein, um dos psicopatas mais assustadores da história americana e "muso" inspirador de diversas histórias de terror e suspense.

Por fim, posso dizer que valeu a espera e a busca pelo livro pois a história é maravilhosa e a edição espetacular. A leitura pode ser realizada em um único dia de tão fácil e eletrizante que é e o livro é ainda mais fácil de ser colocado na lista de releituras constantes, ou seja, uma perfeita reunião de pontos positivos que todo leitor sonha em esbarrar por aí.

Resenha | O Iluminado, de Stephen King


Sem sombra de dúvidas, Stephen King é conhecido por inigualáveis obras de terror, que costumam abordar temas complexos e impactantes. O autor já teve várias de suas obras adaptadas para cinema, como Carrie e O Iluminado, e outras tantas adaptadas para o mundo das séries e das minisséries, como a recente Under The Dome, por exemplo. Outro aspecto indiscutível sobre King é sua capacidade de desenvolver e criar personagens com uma incrível proximidade às diversas personalidades humanas, assim, os leitores automaticamente se identificam com essas criações construindo, inclusive, laços afetivos de difícil desvinculação. Fato notório em O Iluminado.

A família Torrance, composta por Jack (pai), Wendy (mãe) e Danny (filho), é extremamente complexa. Jack se tornou um adulto frustrado por não ter obtido êxito profissional desejado (Jack é professor em uma pequena escola), fato que, aliado aos problemas familiares que passou durante a infância, contribuiu para sua dependência alcoólica. Wendy é dona de casa, muito embora tenha frequentado o ensino superior, e, assim como o marido, teve uma difícil infância. Danny, por sua vez, é um menino muito especial, porém solitário, que possui um único amigo, Tony, fruto de sua imaginação. Bom... pelo menos achamos ser.

Jack, após um ato descontrolado enquanto embriagado, acaba por machucar Danny e, arrependido, decide de vez dar um jeito na vida e largar a bebida. Posteriormente, muito talvez devido à abstinência, Jack acaba agredindo um aluno e sendo demitido. Assim, ainda desejando reconstruir a vida e prover condições melhores para a criação de Danny, Jack consegue um emprego temporário, como zelador de um grande hotel, o Hotel Overlock, durante o inverno, período em que o estabelecimento fica fechado ao público. E é aí que as “tretas” tem início. 

Já trabalhando no hotel, Jack desenvolve uma absurda necessidade de melhor conhecer a história do local, passando horas a fio lendo antigas reportagens sobre os trágicos incidentes lá ocorridos, bem como sobre as famosas festas frequentadas por célebres hospedes, e a cada novo fato descoberto, Sr. Torrance dá um passo em direção à sua fundição ao hotel.

De outro lado, Danny passa a ter crises (desmaios e, as vezes, convulsões) mais frequentes, onde Tony lhe mostra os perigos do hotel e a iminente destruição da família. 

E, alheia a todos os acontecimentos, Wendy segue sua vidinha pacata de tricotar e fazer as refeições da família.

Ao longo da história, temos acesso a diversas variáveis, comportamentos e reflexões, que agem como justificativas que auxiliam na manifestação da conduta psicótica de Jack e da construção das barreiras que aprisionam sua alma ao velho Overlock. Assim, King, ao recriar o personagem composto por infinitas características complexas tipicamente humanas, absorve o leitor para dentro da história, obrigando-o à cumplicidade. De outra mão, temos também as aparições bizarras e apavorantes, repito, A-PA-VO-RAN-TES, que surgem no hotel, extremamente bem descritas e dignas de arrepios e noites mal dormidas.

No entanto, o que mais me impressionou na narrativa não foram os arrepios e as noites mal dormidas e sim, o enfoque e a dedicação do autor em criar os personagens tão humanos a ponto de, praticamente, tornar impossível manter distância emocional, deixando o leitor, ao mesmo tempo, culpado diante da cumplicidade das atrocidades expressas pelo patriarca da família e aterrorizado ao se colocar no papel das vítimas. Nesse sentido, posso afirmar que O Iluminado se tornou uma das minhas obras favoritas a serem lidas durante o dia. Sim, durante o dia. Apenas.  

Resenha | A Estrada da Noite, de Joe Hill

Então, nunca tinha lido nada do Joe Hill e para fazer o teste, nada melhor do que um livro que tenha custado R$ 7,00. Sério, sete reais! É edição econômica, mas está valendo.

O livro conta a história de um quase aposentado líder de uma banda de rock, Jude, que agora mora em uma aconchegante casa com a namorada, Georgia (Marybeth), e é mimado pelo “assessor”, Danny. Um dia, Danny, estava fuxicando na internet e se deparou com um interessante anúncio, em um site parecido com o ebay ou mercado livre. Chamou Jude, sabendo seu gosto peculiar para artigos inusitados, e lhe mostrou que alguém, muito doido, tinha colocado um fantasma à venda. De imediato, Jude e Danny, realizaram o lance mais alto e compraram o “produto”.

Algum tempo depois, Jude recebe em casa um pacote contendo um terno, conforme especificado na descrição do site, e, que, por sua vez, deveria vir acompanhado pelo tão terrível fantasma.

Jude estava cético em relação ao produto, mas né, ter um fantasminha em casa as vezes não faz mal.

Georgia, quando se depara com o terno, fica espantada com o quanto fora de moda o artigo é e, ao pegá-lo, é alfinetada com algo no dedo. Este acontecimento é cheio de simbolismos que vamos desvendando ao longo da leitura.

Não demora muito para Jude perceber que o fantasma é real e aí, meus filhos, demorei mais de uma semana para ler 50 páginas de tanto medo que senti.

No entanto, a fim de evitar spoilers, posso dizer apenas que o fantasma obriga Jude e Georgia a saírem de casa, o que motiva o casal a ir atrás da pessoa que “vendeu” o artigo para tentar se livrar da alma penada.

Esta segunda parte da história não me cativou muito, pois fugiu um pouco do clima de terror que tinha sido bem desenvolvido no início, deixando apenas um viés de ação e a presença do fantasma banalizada.

A resolução da história foi bem encaixada, embora tenha me deixado revoltada (quando você ler o livro, vai entender) e tenha aparentado ser “fácil” de mais, digo, não tenha resultado em grandes problemas. E, de outro lado, temos a ótima escrita de Joe Hill, fato único que me convenceu a continuar a ler mais de seus livros. Falando nisso, alguma sugestão?